GENTILEZAS

“Não há uma pegada do meu caminho
que não passe pelo caminho do outro”
Simone de Beauvoir

“Cuando conozco a alguien, no me importa si es blanco, negro, judío o musulmán. Me basta con saber que es un ser humano.” Walt Whitman.

Em:http://africamemorias.blogspot.com/

“Viva como se fosse morrer amanhã e
faça agricultura como se fosse viver para sempre.” Jason Clay.

Em: http://www.agrofloresta.net


“Há gente que, em vez de destruir, constrói; em lugar de invejar, presenteia; em vez de envenenar, embeleza; em lugar de dilacerar, reúne e agrega”. Lya Luft.

Em: http://artebrasilis.blogspot.com



ARTE CONJUNTA - Centro Cultural Headline Animator

Ecologia e Humanidade

Como podemos ajudar o ser humano que trabalha neste vídeo?
Pledge to go fur-free at PETA.org.

domingo, 31 de janeiro de 2010

"Eu falo,Tu falas...Eles falam"

Sheila Waligora: curso em São Paulo

eu_falo_final

May 28th, 2009
Em: http://www.arvoresurbanas.com.br

Quer construir redes ferroviárias? Pergunte ao protozoário

Quer construir redes ferroviárias? Pergunte ao protozoário!

Categoria: curiosidades

Desde o início deste blog, tenho esta notícia como a que mais me espantou (no bom sentido). Ela só confirma a importância da biotecnologia. Resumindo, quando um protozoário amebóide foi posto para crescer sobre um molde em pequena escala do Japão, onde na posição de cada cidade foi colocado um floco de aveia, este criou uma rede de canais para a distribuição dos nutrientes muito parecida com a rede de ferrovias deste país.

protozoario.jpg

O protozoário é a bolinha amarela na primeira imagem, os flocos de aveia são os pontos menores

Protozoários são formados por uma única célula, porém o Physarum polycephalum consegue ser visto a olha nu. Então, ao ser exposto a várias fontes de alimento, esse ser circunda cada uma delas e cria uma rede de canais para distribuir os nutrientes pela extensão da célula toda. Claro que não é de primeira, como vemos na figura acima, primeiro o protozoário explora o ambiente e vai encontrando as fontes de alimento, além de ir criando varios canais entre elas. Com o passar do tempo, alguns dos canais são "destruídos" para otimizar esta distribuição e, depois de 26 horas do ínicio do experimento, podemos ver o resultado final muito parecido com a malha ferroviária japonesa.

Por fim, os pesquisadores, baseados nas propriedades biológivas de formação de canais do protozoário, criaram uma descrição matemática para desenvolvimento de redes. Este modelo, assim como o ser vivo, gerencia os canais, eliminando os redundantes e aumentando o calibre dos com maior fluxo. Uma das possíveis utilidades pode ser a elucidação de dúvidas sobre o crescimento vascular que alimenta os tumores.

Fonte: Wired Science

A LEI MARIA DA PENHA É INEFICAZ ?

A LEI MARIA DA PENHA É INEFICAZ ?


Em janeiro de 2010, já foi possível perceber que a violência contra a mulher aumentou terrivelmente. Na mídia corre sangue: Câmeras que filmaram assassinatos a tiros..., ex-maridos que mataram filhos e depois suicidaram-se, companheiros que matam a companheira e depois se matam, até mesmo a facadas... A PERGUNTA É UMA SÓ: A Lei Maria da Penha é ineficaz? O Estado é ineficiente? Como resolver o problema? De quem é a culpa? O que fazer ??? E tantas outras indagações, nos próprios jornais e toda a mídia: rádio, tv, revistas..., que são mais lidos e vistos pela desgraça que noticiam, que pelos debates que mais confundem, que esclarecem. NESSE MEIO COLOCO MINHA HUMILDE OPINIÃO.

Importante começar pela própria lei, que se fosse lida e observada direitinho, indica caminhos, até o presente, ignorados, que podem dar eficácia à lei. Observe-se o artigo 1º, da Lei nº 11340/2006, famosa Lei Maria da Penha:


Art. 1o Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.


Queria destacar no artigo 1º, da Lei, os seguintes verbos: COIBIR, PREVENIR, PUNIR, ERRADICAR... cujos significados, segundo Dicionário Aurélio, Século XXI, 2ª Impressão, Editora Nova Fronteira, são:

COIBIR: Impedir, proibir, tolher, reprimir, refrear...
PREVENIR: Evitar, Antecipar-se a..., acautelar-se...
PUNIR: Castigar, penalizar...
ERRADICAR: Arrancar pela raiz...

O que numa linguagem pode ser assim dito quanto à violência doméstica contra mulher: no verbo coibir tanto pode-se impedir, quanto reprimir. Já o verbo prevenir é sempre agir para evitar, antecipando-se a qualquer ação violenta, punir é sempre castigar aquele ou aquela que praticar violência contra mulher, por fim erradicar, acabar com toda forma de violência contra mulher, fruto de uma cultura que deve ser erradicada, arrancada pela raiz. Pois uma vez erradicada, ao menos do plano teórico, não haverá necessidade de prevenir ou de punir. Ouso colocar a seguinte metáfora: alguém que sente dor de dente, pode impedi-la com remédios, pode prevenir se fizer correta higiene bucal para evitar bactérias causadoras da cárie, pode punir a bactéria utilizando enxaguatório bucal, pode erradicar para sempre a dor de dente, extraindo toda a cárie e daí dar prioridade à prevenção.

Importante salientar que toda forma de violência deve ser combatida: contra criança, contra o idoso, contra os pedestres, contra o meio ambiente, contra toda forma de vida, não apenas contra mulher!Todavia muitas mulheres que defendem o fim da violência doméstica defendem o aborto contra o feto sadio, o que é incoerente. Pois se não se admite violência nem contra um golfinho, nem contra um filhote der foca, imagine-se contra um indefeso feto? Um ser humano em estágio embrionário?

Mais adiante, a lei Maria da Penha em seu Título III, trata da assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar, que vai do artigo 8º ao artigo 12, podendo-se destacar, entre os mais importantes:

a) A promoção de estudos e pesquisas sobre a violência doméstica e familiar;
b) Meios de comunicação respeitar valores éticos e sociais;
c) Campanhas educativas para escolas e para sociedade;
d) Programas educacionais que transmitam o significado da dignidade humana;
e) Capacitação da polícia;
f) Ensinar direitos humanos nas escolas;
g) Integração de todos os órgãos do Poder Público.

Mais adiante, a lei Maria da Penha trata das medidas de proteção à mulher em situação de violência, prevendo varias iniciativas de proteção à vítima, até dar-lhe abrigo seguro, repressão ao agressor, como decretar sua prisão preventiva.

PORÉM: se há estudos e pesquisas não são divulgados e pouco utilizados como ferramenta de combate. Os meios de comunicação ganham muita audiência quando transmitem ao vivo o assassinato como o “caso Eloá”, campanhas educativas na escola e para sociedade não existem, dignidade humana, se alguém saí pela rua perguntando o que é, talvez uma pessoa em dez mil saiba ao menos conceituar com as próprias palavras. A polícia não é capacitada, não tem condições adequadas de trabalho, ganha mal, não tem carreira garantida e tem a dignidade aviltada. A grande mídia é a maior responsável por denegrir o que sejam direitos humanos, não se vê integração de Poder Judiciário, com Poder Legislativo, com Poder Executivo, com Ministério Público, com Defensoria Pública para combater nenhum tipo de violência, que é tão cultural e tão arraigada na cultura, que juízes, promotores, advogados, delegados... de quando em quando estão nas páginas policiais por assassinarem suas atuais ou ex-mulheres...

No último dia 31 de janeiro de 2010, a própria Maria da Penha, no jornal O POVO, página 06, no caderno Opinião, desesperada com tantos homicídios veiculados na mídia, declarou: “ deveria ter uma lei para prender imediatamente em virtude de ameaça. Só assim diminuiriam os ataques contra as mulheres”

Quando a própria Lei Maria da Penha prevê não apenas a prisão preventiva, como agrava a pena para parte agressora, além de limitar a distância do agressor da possível vítima e até freqüentar cursos de reeducação, para aprender a conviver sem uso da violência. A PRÓPRIA MARIA DA PENHA AO CLAMAR POR OUTRA LEI, DECRETA A MORTE E A INEFICÁCIA DA LEI COM O SEU NOME. O que é uma terrível constatação para todos. Porém o que é ineficaz não é a lei, é como está sendo encarada pelo Poder Público, pela sociedade civil e por cada cidadão e cidadã individualmente.

Para aprofundamento da questão é de bom alvitre recorrer-se à Constituição Federal, Lei Fundamental, Lei Mãe e alicerce de todo o ordenamento jurídico brasileiro, começando por seu preâmbulo:

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Com destaque para ESTADO DEMCORÁTICO. Pois no Estado democrático de direito não se pode esperar tudo só do Estado. A sociedade, através das associações, e as pessoas têm o direito e o dever de participarem. NÃO APENAS ATRAVÉS DO VOTO! Não pode esperar apenas do Poder Público, que tem tido como principal característica a corrupção, a violação à legalidade e aos direitos humanos fundamentais. Após declarar a instituição do Estado Democrático fundamenta a sua razão de existir, o que também está presente no seu artigo 1º:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.

Mas uma vez em destaque o Estado Democrático de Direito, que exige a participação de todos, que têm direitos e deveres. Por sua feita, os direitos humanos fundamentais, os mais importantes, do contrário não seriam fundamentais, é dever do Estado garanti-los, mas também de cada um, de toda a sociedade.

Se todo mundo, individualmente, respeitasse o direito à vida, não haveria homicídio; se cada um que fosse dirigir jamais bebesse, os acidentes de trânsito seriam casos fortuitos; se todos os pais pagassem pensão aos seus filhos menores pra que prisão em ação de alimentos? Se todos que fossem se divertir não saíssem armados, se as irmãs dos agressores não tentassem justificar a violência dos irmãos contra suas cunhadas ou ex-cunhadas... TUDO ISSO PARA DIZER QUE COMBATER A CULTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA MULHER É UM DEVER DO ESTADO, DA SOCIEDADE CIVIL E DE CADA CIDADÃO. Tudo ao mesmo tempo. De todos os atores sociais existentes. Mesmo os que não puderem agir contra a violência, que se omitam em praticar violência!

A prioridade deve ser: ERRADICAR A VIOLÊNCIA. Através de atos que devem ser praticados por todos: cidadãos, cidadãs, sociedade civil organizada e poder público. APÓS ERRADICAR instituir a cultura da ETERNA PREVENÇÃO, quando a PUNIÇÃO, que deverá ser aplicada aos agressores, será exceção, restando para sempre banida da sociedade a violência, COIBIDA, assim, de forma eficaz, a violência doméstica e todo tipo de violência.

Se assim não for, só restarão os discursos de desespero de prender, prender, prender... punir... punir... punir... sucedendo-se os crimes na mídia de forma contínua e incessante, em torrentes. O fracasso é de todos, porque todos procuram transferir para o outro a responsabilidade e enquanto existir mídia que ganhe muito dinheiro às custas da imagem de presos, da desgraça humana e denegrindo direitos humanos. Enquanto a educação, onde o professor é desvalorizado, mal pago, sem carreira, quando não vítima da violência doméstica, vítima dos assaltos nas ruas ou dos alunos na própria escola; enquanto uma mulher militante pedir apoio contra um tapa e defender o aborto do feto sadio; enquanto não for garantida a plena efetivação dos direitos fundamentais e houver quem defenda pena de morte... será utopia não somente erradicar a violência doméstica e familiar, como toda forma de violência, QUE DEVE SER ERRADICADA INTEGRALMENTE, PARA SEMPRE. SOB PENA DE NÃO MERECERMOS A DENOMINAÇÃO DE CIVILIZAÇÃO E DA CONSTITUIÇÃO NÃO PASSAR DE UMA CARTA DE INTENÇÕES.

A PALAVRA DE ORDEM É: Participação democrática de cada um como direito e dever, sendo a justiça social e a paz fruto da construção coletiva, para qual devem estar voltadas todas as mentes dos cidadãos e cidadãs, toda a estrutura estatal, toda a sociedade civil organizada, todas as autoridades públicas.

Scientists Grow Cheap Biodegradable Solar Using Tobacco

Scientists Grow Cheap Biodegradable Solar Using Tobacco

by Jerry James Stone, San Francisco, CA on 01.29.10

Solar Cells Made From Tobacco

Researchers at UC Berkeley have hacked tobacco plants to grow synthetic photovoltaic cells which can then be extracted and sprayed onto any substrate to create solar cells.

How? The scientists tweaked a few genes within the tobacco mosaic virus to build tiny structures called chromophores. Once the plant is sprayed with the virus, the new chromophores will group into tightly coiled formations. Chromophores are structures that turn light into high powered electrons.

Each formation is hundreds of nanometers long and about three nanometers away from its neighbor. That spacing is very important. Just one atom closer would impede any electrical current. Harvesting the electrons would be nearly impossible.

"Over billions of years, evolution has established exactly the right distances between chromophore to allow them to collect and use light from the sun with unparalleled efficiency," said Matt Francis. "We are trying to mimic these finely tuned systems using the tobacco mosaic virus."

While they aren't as efficient as silicon cells, they are a lot more eco-friendly. Along with being biodegradable, no environmentally toxic chemicals are required to make biologically derived solar cells. And probably most important, they're very very cheap!

Trapped inside the tobacco plant, scientists will have to harvest the plant, chop it up and extract the structures. Dissolved in a liquid solution, chromophores can then be sprayed over a substrate coated to hold them in place.

"It's very difficult to recreate photosynthesis," said Angela Belcher, a researcher at MIT who uses viruses to build batteries and other structures. "The precision of each structure is very important, and it's very hard to pick up one molecule and put it where you want it to be."

Growing biologically derived solar cells could definitely put farmers back to work. The harvested electrons could also generate chemical energy much like plants do. This could mean hydrocarbons that could power cars or aircraft.

Francis and his colleagues were also successful using this process with the E. coli bacteria.

A mãe natureza é cruel


Entrevista Peter Ward

A mãe natureza é cruel

O paleontólogo americano diz que é inútil e perigoso para
a humanidade, a esta altura da civilização, tentar se reconciliar
com a natureza retornando ao estilo primitivo de vida


Carlos Graieb

Na mitologia grega, Medeia é a rainha que mata os próprios filhos como forma de vingança contra o marido infiel, o herói Jasão. Segundo o paleontólogo americano Peter Ward, da Nasa e da Universidade de Washington, a natureza é dotada desse mesmo instinto assassino, condenando todos os seres vivos à extinção a longo prazo. A natureza conspira para tornar a Terra um planeta estéril. A tese central de Ward de que a vida é inimiga da própria vida colide frontalmente com algumas das ideias mais estabelecidas do movimento ambientalista. Em seu livro The Medea Hypothesis (A Hipótese Medeia), Ward desmonta a "hipótese Gaia", aventada pelo cientista inglês James Lovelock há cerca de quarenta anos, segundo a qual a natureza teria compromisso com a manutenção da vida sobre a Terra tendendo para a harmonia, situação que teria a ação humana como única ameaça séria de desequilíbrio. Diz Ward: "É falsa a ideia de que a natureza se salvará se nos conciliarmos com ela. A chance de manutenção da vida humana no planeta está no aprimoramento da ciência e da tecnologia".

De cientistas renomados ao filme Avatar, boa parte do discurso ambientalista insiste que o homem precisa "retornar à natureza". Essa ideia faz sentido?
Há muita coisa louvável no ambientalismo, da ênfase na economia de combustíveis e outros recursos à ideia de que é necessário preservar certas regiões do planeta. Mas a utopia do retorno a um mundo mais simples, mais primitivo, mais natural, aponta na direção errada, tanto por motivos práticos quanto por motivos teóricos. Se a população da Terra fosse de 1 bilhão de pessoas, vá lá. Mas, num mundo com 6 bilhões de habitantes, não poderemos abrir mão das conquistas de nossa civilização tecnológica se quisermos cuidar de doenças e produzir alimentos em larga escala, para ficar nas necessidades mais básicas. A civilização pré-industrial dos sonhos ambientalistas resultaria, muito rapidamente, em fome global. A fome acarretaria guerras e há poucas coisas feitas pelo homem mais devastadoras para o ambiente do que a guerra. Esse é um dos motivos por que os "verdes" deveriam deixar de lado sua aversão à tecnologia, e considerá-la uma aliada. Mas há outra razão para abandonarmos a tese do retorno ao primitivismo. A história do planeta mostra o contrário: a vida está sempre conspirando contra si própria, está sempre no caminho da autodestruição. Cabe a nós, humanos, refrear essa tendência, mais uma vez, por meio de nossa inteligência e da tecnologia. Estou falando na busca de soluções sem precedentes de "engenharia planetária", com efeito atenuador sobre a temperatura da Terra e regulador dos ciclos básicos da biosfera.

A natureza não é uma mãe bondosa?
Ao contrário do que propõe uma das teorias mais difundidas nos últimos quarenta anos, a famosa hipótese Gaia, a mãe natureza não cuidará de nós eternamente se apenas voltarmos ao seu seio. Gaia é uma referência à deusa Terra na mitologia grega, cujo nome também pode ser traduzido como "boa mãe". A hipótese tem duas versões. Uma diz que os seres vivos colaboram entre si para manter as condições ambientais dentro de parâmetros compatíveis com a manutenção da vida. A outra, mais radical, afirma que os organismos não apenas estão programados para manter os padrões de "habitabilidade" da Terra, como ainda conseguiriam melhorar a química da atmosfera e dos oceanos. Essas duas versões da hipótese Gaia estão totalmente erradas. Tomados em conjunto, os organismos existentes na Terra interagem com o ambiente de tal maneira que, a longo prazo, a vida tende a desaparecer. A natureza se comporta como Medeia, a mãe impiedosa que, na mitologia grega, mata os próprios filhos.

Por que a vida seria inimiga da vida?
Isso se deve a um efeito colateral do processo de evolução. As espécies evoluem, mas a biosfera não. A cada etapa evolutiva, as espécies, individualmente, vão aprimorando as características que permitem a cada uma triunfar no jogo da sobrevivência e, com frequência, isso significa desenvolver arma s letais para as outras espécies.

Quais são os furos na hipótese Gaia?
Se as teses de Gaia estivessem corretas, alguns fenômenos comprobatórios já teriam sido observados. O contínuo aumento da diversidade das formas de vida bem como da biomassa (o volume total de organismos vivos) seria um formidável indicador empírico da validade de Gaia. Seria um resultado consistente com a ideia de que, ao longo do tempo, as condições do planeta vão ficando mais acolhedoras para os seres vivos. Não é o que se observa. Os modelos mais recentes indicam que a biomassa atingiu seu ápice em algum ponto entre 1 bilhão e 300 milhões de anos atrás e vem se reduzindo desde então. Quanto à biodiversidade, no melhor dos casos, ela se manteve estável nos últimos 300 milhões de anos.

Em relação à "hipótese Medeia", quais são as evidências de que ela é correta?
Os episódios de extinção em massa registrados no passado geológico do planeta são uma dessas evidências. Quando falamos nesses episódios catastróficos, as pessoas logo pensam nos dinossauros e lembram que o seu desaparecimento está ligado ao choque de um grande asteroide. Isso dá a falsa impressão de que desastres com causas externas seriam o principal risco para a nossa biosfera. O caso dos dinossauros, no entanto, é uma exceção em meio a um grande número de episódios nos quais processos conduzidos pelos próprios seres vivos acarretaram reduções dramáticas na biomassa. Meu exemplo preferido é o da grande extinção no fim do período permiano, cerca de 250 milhões de anos atrás, quando pereceram 90% das espécies marinhas e 70% do total da biota. Por algum tempo acreditou-se que essa extinção também estava relacionada à queda de um asteroide. Essa tese hoje está quase abandonada. Outra teoria que emergiu com força aponta bactérias como as assassinas responsáveis por essa hecatombe.

Poderia explicar melhor?
Há um grupo de bactérias que produz, como resultado de seu metabolismo, uma substância altamente tóxica, o gás sulfídrico (H2S). Ele é mortífero para plantas e animais até mesmo em baixas concentrações. Estudos recentes mostram de maneira bastante robusta que, no permiano tardio, esse tipo de micróbio proliferou de maneira incomum, a tal ponto que o gás sulfídrico que ele produz não apenas envenenou os oceanos como ainda entrou na atmosfera. A consequência disso foi a aniquilação de seres vivos em todo o planeta. Conhecemos pelo menos outras oito ocasiões em que esse processo se repetiu no passado, ainda que em escala menor.

O que causou a proliferação anormal dos microrganismos assassinos?
No caso do permiano, foram os gigantescos volumes de magma lançados por vulcões nos mares e na terra ininterruptamente por milhares de anos. Esse processo potencializou o efeito estufa, aquecendo demais a superfície do planeta, e praticamente eliminou o oxigênio livre nas águas dos oceanos, favorecendo a multiplicação descontrolada das bactérias anaeróbicas assassinas.

Algo semelhante poderia voltar a acontecer no futuro?
Evidentemente, e dessa vez com ajuda humana. Efeito estufa é efeito estufa, pouco importa se causado por vulcões ou por fábricas e automóveis. Quando e se os níveis de CO2 na atmosfera superarem a taxa-limite de 1 000 ppm (partes por milhão), a série de eventos de longo curso que pode levar a uma extinção como a descrita se porá em movimento. A taxa atual é de 380 ppm, e ela está subindo. As estimativas mais pessimistas sugerem que em um século poderemos nos aproximar dos níveis críticos.

O senhor, então, não é um cético do aquecimento global?
É claro que não. Acabo de voltar de uma temporada no Ártico. É espantosa a maneira como a calota polar está retrocedendo. O fato de eu me contrapor a certas ideias do movimento ambientalista não significa que me posicione no lado contrário. De fato, há ocasiões em que eu gostaria de dar uma surra em céticos barulhentos como o dinamarquês Bjorn Lomborg. Esse ceticismo só é útil quando nos leva a refinar hipóteses científicas, mas não quando serve de desculpa para empresas e governos não agirem. Suponha que os céticos estejam certos e que as piores previsões sobre o aquecimento global não se realizem. Ainda assim, lidamos hoje com uma matriz energética que é muito poluente. Faremos mal em desenvolver novas fontes de energia? É claro que não. Uma economia diversificada desse ponto de vista será melhor em todos os sentidos. Digamos agora que a tese do aquecimento está correta. Nesse caso, as consequências serão desastrosas se não nos precavermos. A curtíssimo prazo, veremos nosso modo de vida ser profundamente afetado pelo aumento do nível dos oceanos. Esse seria apenas o primeiro dos desastres.

Na cúpula sobre o clima realizada em Copenhague, no fim do ano passado, o ceticismo ficou em segundo plano. Apesar dos resultados políticos pífios da cúpula, isso não foi um avanço?
Nesse caso, sou eu que me ponho na posição de incrédulo. Nos Estados Unidos é muito fácil retornarmos a uma posição oficial de ceticismo. Os republicanos linha-dura na questão climática, no estilo George W. Bush, não foram extintos. Eles podem voltar ao governo. Se uma administração que se diz atenta à questão do aquecimento global, como a de Obama, nada fez em Copenhague, quais são as causas para entusiasmo?

O senhor mencionou que feitos de "engenharia planetária" são necessários para manter a Terra habitável para o homem e outras espécies. De que estava falando?
A curto prazo, da busca engenhosa de novas fontes de energia. Mas, ainda que consigamos interromper a tendência atual de aquecimento do planeta ensejada pela atividade humana, a longo prazo temos de lidar com outro problema: nosso sol se tornará maior, e enviará mais energia para a Terra. Algumas alternativas já foram aventadas, como a construção de espelhos gigantescos que seriam postos em órbita para reduzir a incidência de luz solar sobre o planeta, ou a cobertura de grandes áreas de terra e mar com material refletivo. Parece ficção científica, mas, diante de um desafio dessa magnitude, não podemos abandonar a nossa imaginação.

O efeito estufa é o único fenômeno que pode disparar um desses eventos em que alguns seres vivos se tornam ameaça para a biosfera como um todo? Falamos muito sobre os perigos do aumento do CO2. Ironicamente, contudo, uma ameaça ainda maior para a vida na Terra pode ser a diminuição extrema dos níveis desse mesmo gás mais uma vez, causada pelos seres vivos. Corais e outros animais marinhos sequestram quantidades gigantescas de CO2da atmosfera ao "fabricar" estruturas calcárias como as conchas. Suponha que o efeito estufa tenha sido abortado. Em algumas centenas de milhões de anos 500 milhões, digamos, o que não é muito tempo em termos geológicos , a quantidade de CO2 poderá baixar a um nível tal que as plantas se verão incapacitadas de realizar a fotossíntese. E com isso estaria rompida toda a cadeia de alimentação que permite à vida se reproduzir. Muito gás carbônico, pouco gás carbônico: as duas situações são potencialmente desastrosas. Entre todos os seres vivos, somos os únicos que dispõem de ciência para entender esses perigos e nos contrapor a eles. Teremos de guiar as mudanças no planeta e na biosfera se quisermos continuar aqui por milhões de anos.

Colonizar outros planetas seria uma opção para a espécie humana? Infelizmente, creio que não. Os planetas vizinhos são hostis demais à vida. É mais fácil colonizar a Antártica do que Marte. E, dadas as distâncias e a escala temporal envolvidas, não vejo como produzir naves capazes de nos levar a planetas distantes. A Terra é só o que temos.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Jardim Robótico

Jardim robótico brilha para visitantes da Campus Party
Projeto de estudantes da Unesp é atração no evento.
Flores acendem com aproximação das pessoas.
Do G1, em São Paulo





O Jardim Robótico é uma das atrações na área aberta ao público na terceira edição da Campus Party, em São Paulo. Desenvolvido por estudantes do curso de engenharia de controle e automação da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), o projeto apresenta flores de acrílico com minilâmpadas que acendem quando alguém se aproxima. (Foto: Mirella Nascimento/G1)


Flores têm sensores que calculam a distância do visitante. (Foto: Mirella Nascimento/G1)




Os girassóis têm outro tipo de sensor, que capta a luz. Quando o aluno aproxima a lanterna, as flores ficam mais brilhantes. (Foto: Mirella Nascimento/G1)

CAMPUS PARTY 2010

Local: Centro de Exposições Imigrantes – rodovia dos Imigrantes, km 1,5. Haverá transporte gratuito do metrô Jabaquara até o local diariamente.
Data: Até domingo (31).
Informações: www.campus-party.com.br
Preço: Visitação gratuita à área Expo e Lazer

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Desertificação:

Desertificação: A cada minuto, 12 hectares áridos, artigo de Washington Novaes
Postado por Mariana Santana em 26 janeiro 2010 às 17:35
Exibir blog de Mariana Santana
Desertificação: A cada minuto, 12 hectares áridos, artigo de Washington Novaes


[O Estado de S.Paulo] O alarido em torno do “fracasso de Copenhague”, na reunião da Convenção do Clima, impediu que a comunicação desse destaque a algumas discussões ali ocorridas, entre elas as que se referiam ao tema da desertificação e suas relações com mudanças climáticas (uma das causas centrais da desertificação progressiva no mundo, onde esse processo avança à razão de mais de 60 mil km2 por ano, 12 hectares por minuto). É pena.

Ainda na nona reunião da Convenção da ONU sobre Luta contra a Desertificação, realizada em Buenos Aires, no final de setembro e começo de outubro, ficou claro que a situação continua a agravar-se. Só para focar mais perto de casa, foi dito ali que a América Latina e o Caribe já têm 25% de terras áridas, semiáridas e subúmidas secas. E destas, 75% com sérios problemas de degradação por causa do clima e do mau uso. Argentina, México e Paraguai são os países com mais problemas. Mas o Brasil tem mais de 1 milhão de km2 envolvidos no processo, dos quais 180 mil no Semiárido nordestino e mineiro, em situação mais delicada. Ao todo são 1.482 municípios (15% do território nacional) e 32 milhões de pessoas.

Segundo a ONU, no mundo 2 bilhões de pessoas vivem em áreas com terras secas predominantes – 40% da superfície da Terra. Dessas, 325 milhões (40% da população total do continente) estão na África, onde o processo evolui mais rapidamente que em qualquer parte. Até 2025, diz a ONU, a seca pode atingir 70% do planeta. De 1990 para cá, cresceu 15% a área atingida. E quase nada se tem avançado no enfrentamento do problema, devido, além do clima, a desmatamento, mau uso e degradação do solo, urbanização em áreas antes férteis (em 40 anos um terço das terras de cultivo foi abandonado). E esse caminho é dos que mais contribuem para o crescimento do número de “migrantes ambientais”, que já são 24 milhões hoje e poderão ser 200 milhões em 2050.

Entre nós a situação é mais grave nos 180 mil km2 e, nestes, em Irauçuba (CE), Seridó (PB), Gilbués (PI) e Cabrobó (PE). Na Paraíba, segundo estudo da Embrapa e da Unicamp, 66,6% das terras férteis foram comprometidas pelo processo de desertificação; no Ceará, 79,6%; no Piauí, 70,1%. Mas parte pode ser recuperada, com caminhos e métodos adequados. Só que dos R$ 49,4 milhões destinados a enfrentar o problema entre 2004 e 2009 apenas 20% foram utilizados (Congresso em Foco, 11/4/2009).

Mas há caminhos para enfrentar o problema, no mundo e aqui. Entre nós, felizmente, passou a prevalecer a visão de que é preciso trabalhar a questão não tentando “combater a seca”, e sim adotando um programa de “convivência adequada” com o Semiárido e suas possibilidades. A propósito, o escritor Ariano Suassuna, que cria cabras em região árida, costuma dizer – e provavelmente por isso já foi citado aqui – que “enfrentar a seca criando um Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, como fizemos, é como criar um departamento de combate à neve na Sibéria”. Tarefa impossível.

No campo da água, propriamente, o caminho mais indicado para abastecer as populações que vivem em pequenas comunidades isoladas, onde não chegam nem chegarão adutoras com águas de transposição, é o das cisternas de placas, que recebem a água de chuva canalizada nos telhados e a depositam em reservatórios de paredes cobertas por placas que impedem a infiltração na terra. Por esse caminho, na estiagem, uma cisterna pode abastecer com 20 litros diários de água cada uma das pessoas na casa – “uma bênção”, como disse ao autor destas linhas uma mulher no interior de Pernambuco, erguendo as mãos para o céu. Já se construíram mais de 200 mil cisternas de placas e é preciso chegar a 1 milhão – mas, infelizmente, o grosso dos recursos no Semiárido vai para o programa de transposição de águas do São Francisco, que não as atenderá, já que mais de metade da água transposta irá para programas de irrigação de produtos destinados à exportação e outra grande parte, para reforço do abastecimento de água das cidades que, em média, perdem mais de 40% da que sai das estações de tratamento.

Nas zonas rurais, o caminho está também em barragens subterrâneas e barragens encadeadas, que viabilizem cada vez mais programas como a cultura de caju, do umbu, da cera de carnaúba, de fibras e outras, além da apicultura, piscicultura (em reservatórios já existentes), caprinocultura e outras.

Em março, em Petrolina e Juazeiro, será realizado o Encontro Nacional de Enfrentamento da Desertificação, no qual se pretende construir um “pacto pelo desenvolvimento sustentável do Semiárido”. Será uma boa oportunidade de avançar. Não apenas conceitualmente, mas acertando a destinação dos recursos imprescindíveis, que até aqui são quase ridículos. Abrindo para sua utilização caminhos corretos, que não sejam nem o das megaobras como a do São Francisco (muitas vezes comentadas aqui), nem os que acabam concentrando água para poucos beneficiários (como nos grandes açudes construídos durante décadas em propriedades privadas, sem beneficiar o grosso da população).

É preciso ressaltar, como tem feito a ONU, que a degradação da terra não é apenas consequência de mudanças climáticas, é causa também – como tem sido observado, principalmente, na África, onde a terra degradada é fonte geradora de emissões que intensificam o efeito estufa. A recuperação dessas terras ajuda a fixar carbono e até removê-lo da atmosfera. E nesse ponto entra em cena o problema do mercado mundial de carbono, em que os financiamentos continuam a escassear, ante a incerteza quanto do futuro do Protocolo de Kyoto e seu Mecanismo do Desenvolvimento Limpo, que destina recursos a esses caminhos.

Os novos conceitos permitem enfrentar dois problemas ao mesmo tempo, o do clima e o da pobreza – não esquecendo que hoje há mais de 1 bilhão de pessoas que passam fome todos os dias.

Washington Novaes é jornalista E-mail: wlrnovaes{at}uol.com.br

Artigo originalmente publicado pelo O Estado de S.Paulo.

EcoDebate, 25/01/2010
Em: http://marinasilvapresidente.ning.com

Representantes da Fundação O Boticário no evento contam suas impressões sobre a Conferência das Partes da Convenção do Clima.

[15.12] Representantes da Fundação O Boticário no evento contam suas impressões sobre a Conferência das Partes da Convenção do Clima.
Entre os dias 7 e 18 de dezembro acontece, na Dinamarca, a 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 15), encontro que deverá estabelecer o tratado que vai substituir o Protocolo de Quioto, vigente até 2012.
A Fundação O Boticário de Proteção à Natureza participa do evento como observadora, entre os dias 10 e 15, acompanhando as negociações, participando de palestras e reuniões técnicas de capacitação e divulgando a posição da instituição.

Os representantes da Fundação O Boticário na COP 15 são André Ferretti, coordenador Conservação da Biodiversidade, e Gustavo Gatti, analista de projetos ambientais da instituição.

Confira os depoimentos de André e Gustavo referentes a 10 de dezembro, o primeiro dia de participação deles na COP 15.


ONGs apresentam manifesto à Dilma Roussseff


André Ferretti e Dilma Rousseff

GUSTAVO GATTI e ANDRÉ FERRETTI, 14/12 - A chefe da delegação brasileira na COP 15 e ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fez apresentação na COP15, dia 14/12, junto com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Também estavam presentes o chefe da delegação da China, um ministro da Índia e ministros do México.

Segundo Gustavo Gatti, as falas reforçaram a posição brasileira com todos seus compromissos já assumidos, mas também destacaram fortemente a responsabilidade dos países desenvolvidos em "pagar suas partes da conta do clima".

Nesse evento, André Ferretti que também coordena o Observatóri o do Clima – uma rede de instituições de pesquisa e organizações não-governamentais de todo o Brasil que trabalham com a questão das mudanças climáticas – entregou à ministra uma carta dirigida à Delegação Brasileira na COP 15.

O documento, que tem o apoio da Fundação O Boticário, ressalta a necessidade urgente de que a delegação brasileira defenda pontos como considerar a manutenção e recuperação de ecossistemas como parte das ações de adaptação, não incluir a agricultura no REDD, defender que as metas de redução de emissões dos países desenvolvidos sejam de pelo menos 40% até 2020 em relação a emissões de 1990.

Clique aqui para ler o documento na íntegra.


Perspectivas para um acordo efetivo

GUSTAVO GATTI, 14/12 - O clima aqui na COP15 em relação às possibilidades concretas de resultar um acordo satisfatório ao final do encontro continuam iguais. Embora a rodada de negociações da primeira semana não tenha resultado em um texto final, ou mesmo em soluções para algumas lacunas importantes, houve avanços que possibilitarão ao segundo pelotão formado pelos ministros dos países alinharem os últimos detalhes para a tomada de decisão pelos líderes de estado. Em outras palavras, a essa altura dos acontecimentos, não existe nenhum obstáculo intransponível para que Copenhagen seja um sucesso. O fator determinante para isso será, como sempre, a tomada de decisão ao termino das últimas rodadas, que ocorrerão nos próximos dias. Em outras palavras, faltara principalmente o compromisso formal dos países desenvolvidos em assumirem suas responsabilidades históricas e atuais e que os mesmos apresentem seus números não só no estabelecimento de metas de redução de emissões conforme a recomendação do IPCC, mas também em relação aos financiamentos de longo prazo para mitigação e adaptação.


Cientistas apresentam estudo sobre degelo no Ártico

GUSTAVO GATTI, 14/12 - Em um interessante evento paralelo promovido pela Noruega e Dinamarca, que ocorreu nessa segunda (14/12), um grupo de cientistas apresentou a situação sobre o derretimento da capa de gelo no Pólo Norte e Groelândia. Com a participação de Al Gore, entregaram formalmente o relatório com os novos números e análises para a enviada especial das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, a criadora do controverso conceito de "desenvolvimento sustável", Gro Harlem Brundtland. Os dados são alarmantes e demonstram uma situação pior do que o pior cenário que se projetava há pouco tempo, com fortes repercussões em questões de essencial importância, como o aumento do nível do mar e potencial alterações nas correntes marítimas. Como se não fosse suficiente, Al Gore também comentou sobre o rápido derretimento de gelo nos Himalaias e os riscos iminentes de falta de água para 40% da população mundial, a que se beneficia dos degelos nessa cordilheira.


Pecuária representa 48% das emissões do Brasil

ANDRÉ FERRETTI, 13/12 – No início da noite de sábado na COP15, Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, apresentou um resumo dos dados da pesquisa realizada no Brasil sobre as emissões de carbono da pecuária. O estudo revelou que a cadeia produtiva da pecuária representou cerca de 48% das emissões totais de gases de efeito estufa do Brasil.

Os dados da pesquisa foram baseados no recente inventário brasileiro de emissões de gases de efeito estufa divulgado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O inventário indica que o país emitiu 2,2 bilhões de toneladas de carbono em 2005.

Segundo a pesquisa apresentada por Roberto Smeraldi, coordenada pelos pesquisadores Mercedes Bustamante (UnB) e Carlos Nobre (INPE), a pecuária foi responsável por 1,05 milhões. Smeraldi destacou que os dados da pesquisa por si só indicam que a carne produzida no Brasil tem uma pegada muito grande de carbono, de modo que cada quilograma de carne vendida promove a emissão de cerca de 300 kg de carbono. Se o consumidor fosse pagar pelo custo ambiental dessa produção, considerando apenas as emissões de gases de efeito estufa, o custo da carne brasileira seria inviável.

Smeraldi destacou que informações como essa são de fundamental importância. Como base nela os produtores poderão melhorar o manejo da atividade pecuária para reduzir a pegada de carbono, com possibilidades de captação de recursos no mercado de carbono pela redução de emissões que for comprovada com o novo manejo. Por sua vez, os consumidores também terão as informações necessárias para orientar suas compras, possibilitando a escolha de produtos que causem menos danos ambientais.

Dependendo da situação do mercado de carbono, produtores e frigoríficos poderão vir a lucrar mais com o carbono que foi deixado de emitir após a adoção de novas técnicas de manejo que reduzam a pegada de carbono da pecuária brasileira do que com a própria carne. Esse mesmo modelo pode ser aplicado em todos os setores da economia. Com a informação da pegada de carbono de um determinado produto, o consumidor terá como levar em conta o impacto ambiental do produto que está adquirindo, contribuindo também com a redução das emissões provenientes do seu consumo. Da mesma forma, os investidores poderão direcionar seus recursos para produtos, empresas e negócios mais sustentáveis, gerando uma cadeia virtuosa em que todos ganham.


Protestos e prisões durante a COP 15

GUSTAVO GATTI, 13/12 - As manifestações que ocorreram no sábado pelas ruas de Copenhagen não atrapalharam de nenhuma maneira o andamento das negociações. Muito pelo contrário, houve bastante mobilização do tipo "todos unidos pela causa maior", o que pode ser comprovado pelas aglomerações ao redor dos monitores de TV que mostravam para os que estavam dentro do Bella Center as manifestações do lado de fora. O curioso foi a forma que as autoridades dinamarquesas organizaram as manifestações; não houve um único bloco de passeata, pois a polícia decidiu "pulverizar" a multidão em grupos menores, mais fáceis de manejar. Houve, de fato, manifestações violentas que foram respondidas pela polícia também de maneira violenta; talvez até mesmo fazendo algumas prisões não merecidas. Entretanto, as manifestações violentas foram completamente isoladas e fora do espírito da COP15, onde todas as nações estão reunidas em busca de um consenso, mesmo que o processo para alcançá-lo seja longo, árduo e, em muitos pontos, um pouco utópico. De qualquer forma, o saldo foi bastante positivo. Mais uma vez a sociedade se mobilizou para dar seu recado aos governantes e tomadores de decisão: o mundo quer e espera um acordo eficaz e legalmente vinculante ao final da segunda semana. Não um acordo que somente atenda aos interesses econômicos e geopolíticos de alguns, mas sim que trate da necessidade que o mundo tem de uma transição para uma economia de baixo carbono.


Texto preliminar do novo acordo climático

ANDRÉ FERRETTI, 11/12 - O texto preliminar do novo acordo climático (clique aqui), que será votado em breve, dá uma idéia do que pode ser um dos resultados da COP15. Há muita especulação até o momento, e não é possível saber o resultado final ou mesmo as principais tendências. As negociações estão muito difíceis. A grande maioria dos países continua negociando pensando apenas em como tirar melhor proveito individual. O bem comum de todos, princípio de fundação da ONU, continua muito distante da maioria das falas aqui na COP15.

Hoje (11/12) o Bella Center, onde acontece a conferência, estava mais cheio do que na quinta-feira. Continua chegando mais gente, o os Ministros deverão desembarcar no final de semana em Copenhagen. Eles terão reuniões na segunda e na terça-feira, quando chegarão os chefes de estado. Esses, por sua vez, terão reuniões quarta e quinta-feira. Na próxima sexta-feira, espera-se que seja aprovado o texto final do novo acordo de clima para o período pos 2012.

Hoje e sábado, os últimos dois dias da primeira semana da conferência, terão como foco a tentativa de se aprovar as versões preliminares dos textos que serão apreciados, negociados e votados por ministros e chefes de estado na próxima semana. Os negociadores e técnicos que estão acompanhando as negociações no dia de hoje já nos informaram que foram orientados a trazer sua comida para as reuniões e ficar preparados para discussões noite à dentro. Vai ser assim no sábado também.

Sábado, por sinal, tradicionalmente é o dia em que a Climate Action Networrk (CAN), associação que representa as ONGs do mundo inteiro na Convenção do Clima, promove a "festa das ONGs". Esse é um evento bastante esperado nas COPs. Todo mundo participa, não apenas representantes de ONGs. A festa marca o encerramento da primeira semana de negociações e abre a semana decisiva. Muita gente aproveita para se atualizar sobre tudo o que aconteceu nos primeiros 6 dias de negociação, inclusive aqueles que estarão chegando para a segunda semana da COP.

No domingo não ha programação oficial na COP. Porém, fora da COP será realizado o "Forest Day", quando serão discutidos vários aspectos relacionados ao tema de florestas e áreas naturais na Convenção de Mudanças Climáticas. Nesse mesmo dia (13/12), o Governador de São Paulo, José Serra, promoverá uma reunião no Hotel Hilton de Copenhagen, para conversar informalmente com os interessados sobre os resultados da COP 15 e seus desdobramentos para o Brasil e São Paulo. Como é de conhecimento de todos, o estado de São Paulo aprovou sua recente Política Estadual de Mudanças Climáticas, com metas audaciosas de redução de emissão de gases efeito estufa (20% em relação as emissões do ano de 2005).

Vimos de tudo aqui nesses dois dias. Para qualquer lado que você olhe poderá encontrar pessoas com roupas ou acessórios típicos de diversos países e culturas. Há também muita gente fantasiada protestando, alguns vestidos de extraterrestres, outros de políticos, e até um urso polar protestando para que o ser humano não permita que a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre ultrapasse 350 partes por milhao (ppm).


Primeiras impressões

GUSTAVO GATTI, 10/12 - Se eu tivesse que escolher uma única palavra para traduzir minhas impressões no meu primeiro dia de participação na COP15, esta palavra seria "desafio".

Trata-se de um grande desafio, de múltiplos níveis e de diferentes alcances. O primeiro deles diz respeito à logística: como preparar um evento de duas semanas que tenha que dar conta do recado para fazer funcionar uma reunião em que participarão mais que quinze mil pessoas de diferentes culturas e idiomas (há rumores de que o número de inscritos passou dos 34 mil), reunidos entorno de um tema que afeta a todos. Comida, banheiro, água, acesso à internet, informações e segurança reforçada. Milhares de pessoas circulando, participando de eventos e reuniões, networking.

Em qualquer direção que se olha existem pessoas interagindo umas com as outras; umas colocando suas opiniões e anseios, outras escutando e tentando entender como essas posições somam às suas próprias ou se contrapõem a elas. Os observadores, como nós, buscam interação com os delegados oficiais de seu país e com os demais participantes e tentam deixar claro os pontos que defendem e que gostariam que seus representantes defendessem.

Tarefa difícil já que estes representantes, por sua vez, têm o desafio de chegar a um acordo por meio de consenso que esteja dentro do que o país definiu como base para suas negociações que, em última instância, são posições definidas por algumas pessoas que hoje detêm o poder de decisão e não necessariamente se respaldam em conhecimento cientifico e empírico. São posições muito aquém de onde deveriam estar. Um grande jogo de interesses.

Espremendo tudo, resta o grande e final desafio de chegar a uma solução para uma crise que se originou exatamente por cada um de nós, consumidores, e que ameaça o modo de vida como o conhecemos hoje. Só nos resta continuar com esse jogo e esperar que nossos líderes tenham o bom senso de acreditar na ciência e tomem as decisões corretas. Que desafio!



ANDRÉ FERRETTI, 10/12 - Nosso primeiro dia na COP15 foi bastante movimentado. Desde a saída de São Paulo encontramos várias pessoas conhecidas que também estavam vindo para a COP. A Delegação brasileira tem mais de 700 pessoas, e por onde a gente anda, acaba encontrando conhecidos do Brasil. Estão aqui representantes do Governo, Empresas, ONGs, Universidades, Consultores especializados em mudanças climáticas, políticos...

Logo pela manhã já podemos ver o grande movimento de pessoas indo para a COP, tanto na região metropolitana de Copenhagen quanto na Suécia (estamos hospedados na cidade de Malmo, a cerca de 30 minutos de trem do Bella Center, onde está sendo realizada a COP15). Quando chegamos, por volta das 09h00, havia uma fila enorme de pessoas para entrar e também para fazer o credenciamento. Poucas pessoas estavam trabalhando na logística do evento, o que nos assustou um pouco. Afinal, são cerca de 15.000 pessoas participando do evento. Tem fila pra tudo, mas as coisas estão funcionando.

Conversamos com alguns dos negociadores do Brasil aqui na COP15, bem como com pessoas que estavam acompanhando as negociações. Todos já aparentavam estar muito cansados por conta das intermináveis reuniões de negociação sobre temas como adaptação, REDD, e outros assuntos que estão sendo discutidos nesses dias.

Tem gente saindo pelo ladrão, e o Brasil tem parte da culpa. Afinal, mais de 700 pessoas na delegação oficial já é abuso! Imaginem só se os quase 200 países fizessem a mesma coisas? Seria impossível acomodar tanta gente assim num só centro de convenções. O Brasil inscreveu todo mundo que solicitou. Tem mais gente aqui credenciado pelo Brasil fazendo negócios do que participando das negociações formais da Convenção. Com tanta gente assim, já se comenta aqui que a partir de quarta-feira, quando chegarem os chefes de estado, muita gente já credenciada vai ser impedida de entrar. Isso porque aqui só cabem 15 mil pessoas, sendo que há 34 mil inscritos. Com isso, só poderão entrar as pessoas que fazem parte das delegações oficiais, entre eles os mais de 700 brasileiros!

Como foi noticiado na semana passada, o Brasil tem um grande stand, onde estão sendo apresentadas iniciativas do país no tema das mudanças climáticas. Algumas ONGs ambientalistas foram lá para tentar conseguir espaço para apresentar o que têm feito no Brasil, mas as portas foram fechadas. Representantes do Itamaraty falaram que não há espaço para ONG. Porém, na programação há palestras da CNI, CBEDES, e outras ONGs ligadas ao setor empresarial. Essa postura dá margem ao entendimento de que o Governo Brasileiro só dá oportunidade a parte da sociedade brasileira. ONGs ambientalistas e movimentos sociais não têm vez no stand do Brasil. Essa é a cara do nosso país na COP15!


Como está o esforço para finalizar o esboço do documento a ser entregue para negociação?

O Ministro Figueiredo deu uma entrevista hoje no final da tarde para a imprensa aqui presente, dizendo que amanhã será divulgado o esboço do documento a ser entregue para a negociação, conhecido como LCA (Report of the Ad Hoc Working Group on Long-term Cooperative Action under the Convention on its seventh session, held in Bangkok from 28 September to 9 October 2009, and Barcelona from 2 to 6 November 2009). O documento, fechado antes do início da COP e que está sendo discutido nessa primeira semana, tem mais de 150 páginas. Será apresentado nessa sexta-feira para apreciação de todos para que, caso todos concordem, seja entregue aos ministros e chefes de estado para aprovação na próxima semana. Muitas pessoas com as quais conversamos acham que o texto ainda está cru e muito mal escrito. Independentemente de qualquer coisa, vai apresentar o estado da arte das negociações em andamento. Agora mesmo (19:00 de quinta-feira em Copenhagen), está sendo discutido o capítulo de REDD. Será que vai haver acordo para se fechar um texto para ser apresentado na manhã da sexta-feira, como disse o Ministro Figueiredo? Acho muito difícil. Pelo que já pude acompanhar em outras COPs, esse documento só será apresentado no sábado, e a custa de muito trabalho pelas próximas duas madrugadas!

Tem gente que acha tudo isso uma loucura, outros adoram. COP é isso mesmo, as negociações são sempre muito duras, alguns temas entram em discussão madrugada a dentro, e os avanços são homeopático.

Assim como em outras 4 COPs que participei (COP 6 em Haia 2002, COP 7 em Marraquesk 2001, COP 9 em Milão 2003 e COP 10 em Buenos Aires 2004), infelizmente o que se vê são os países pensando individualmente, vendo como ganhar mais ou perder menos, e muito pouco de uma cooperação internacional para resolver o maior problema que a nossa geração terá que enfrentar e, mais do que isso, terá que equacionar o mais rápido possível se quisermos que a nossa civilização possa viver nas condições em que a nossa espécie pode evoluir nos últimos milhares de anos.

Em meio a tudo isso, estão muitos os protestos. Os pequenos países insulares, liderados por Tuvalu, protestaram muito na quarta-feira. Não concordam com o rumo e o ritmo das negociações, e alegam que essas negociações até o momento não estão sendo devidamente abertas, insinuando que tem muito conchavo sendo feito às escuras.

As próximas horas serão decisivas e a sexta-feira promete ser quente aqui na Escandinávia, onde a temperatura lá fora não tem passado dos 6 graus e o sol não tem dado o ar de sua graça.

As impressões de André e Gustavo também estão sendo divulgadas no “Diário de Copenhague”, da Gazeta do Povo (PR). Clique aqui para ler a matéria publicada em 11 de dezembro.

Em: http://internet.boticario.com.br

COGUMELOS

Projeto Socioambiental de Dracena promove ressocialização de presos


Projeto Socioambiental de Dracena promove ressocialização de presos
Escrito por Fernanda Carreira
Ter, 26 de Janeiro de 2010 13:09

Além de proporcionar a recuperação de áreas degradadas, na região de Dracena, o projeto pretende envolver os presidiários em atividades de capacitação e geração de emprego e renda

A falta de instrumentos que possibilitem a ressocialização dos presidiários não vem de hoje. Mas atualmente, com a expansão da crise no sistema prisional brasileiro, esse fato tornou-se muito mais evidente. A sociedade percebeu que apenas manter os infratores presos não é suficiente para modificar o comportamento deles, é preciso reintegrá-los à sociedade.

Assim, foi com o objetivo de colocar em prática um projeto que contemplasse não apenas a área ambiental, mas também servisse como uma ferramenta de inclusão social, que o IBFLORESTAS se uniu às Usinas de Açúcar e Álcool da Região, Penitenciária Compacta de Dracena, Prefeitura Municipal de Dracena e o Instituto Brasileiro de Florestas, da cidade de Dracena, para elaborar o Projeto Socioambiental – Penitenciária Compacta de Dracena.

O que se pretende é aliar a reintegração social dos presidiários, pelo trabalho, com o incentivo ao plantio de árvores, em todos os segmentos da sociedade. O Projeto Socioambiental – Penitenciária Compacta de Dracena tem como intuito superar a falta de qualificação profissional e o baixo nível de estudo dos presidiários, a partir da inclusão destes em atividades complementares, capazes de fornecer conhecimentos profissionalizantes e uma nova perspectiva de vida. Além disso, esse planejamento visa apoiar o Projeto Sementes do Trabalho, desenvolvido pelo IBFLORESTAS, visando geração de emprego e renda através do incentivo à coleta de sementes.
De acordo com Fernando dos Santos Martins, engenheiro ambiental da Usina Dracena Açúcar e Álcool, localizada no município de Dracena/SP, o projeto vem atender às necessidades socioambientais da região e dos parceiros signatários a este projeto, proporcionando um perfeito ambiente, com atividades práticas que poderão levar a ressocialização dos detentos da Penitenciária Compacta de Dracena. “Além disso, serão atingidas grandes metas de recuperação florestal das matas ciliares e áreas de reserva legal de pequenas e grandes propriedades e haverá um aumento ordenado da arborização urbana do município de Dracena”, destaca.
Para Lupércio Chagas Neto, diretor da secretaria de meio ambiente da prefeitura de Dracena, o projeto é muito bom para ocupar a mente dos presos. “Com as atividades, a atenção deles é desviada do foco de querer fugir”, diz. Para ele, existe uma carência de projetos socioambientais na região e a secretaria está com uma expectativa muito boa quanto ao projeto.
A idéia é implantar um viveiro de mudas nativas dentro do presídio de Dracena. A mão-de-obra será dos próprios presidiários que receberão treinamento técnico e capacitação para desempenharem essas atividades. A iniciativa e os investimentos são resultados de uma parceira entre Usinas de Açúcar e Álcool da Região, Penitenciária Compacta de Dracena, Prefeitura Municipal de Dracena e o Instituto Brasileiro de Florestas.

Celio Rejani, prefeito de Dracena, afirma que a prefeitura disponibilizará, para o projeto, uma estrutura, já existente na Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente no tocante à produção de mudas, como local de apoio na logística do projeto. Segundo ele, a prefeitura se prontifica, também, a ajudar no que for preciso para a expansão da área, na qual será implantada a estrutura do viveiro de mudas, no entorno da Penitenciária Compacta de Dracena.

De acordo com o prefeito, a finalidade de uma unidade prisional é a de educar, além de punir o infrator. “Dentro deste intuito, enquadra-se a necessidade de educação ambiental, que é fundamental a qualquer indivíduo nos dias atuais”, declara.

Para Rejani, quando o egresso ganha a liberdade, ele sente a dificuldade de se colocar no mercado de trabalho, entrando novamente para a marginalidade. Conforme o prefeito, a oportunidade de emprego é um direito do cidadão, ainda que privado de sua liberdade em uma instituição carcerária. Até mesmo para fazer sua remissão de pena e ter a oportunidade de se qualificar para o mercado de trabalho. “Entendemos que através deste projeto, possibilitamos sua reinserção no convívio social”, salienta.

O Instituto Brasileiro de Florestas será o realizador e coordenador deste Projeto, dando todo o suporte técnico necessário para a implantação e manutenção do viveiro florestal, que contará com uma produção anual de aproximadamente 1,7 milhões de mudas. Uma parte dessas mudas será distribuídas entre as usinas financiadoras para que possam dar início ao seus projetos de recomposição da mata ciliar.

O esforço integrado de conservação e restauração da Mata Atlântica é o principal motivador para a inclusão do IBFLORESTAS neste projeto. Vislumbrando a possibilidade de recuperar aproximadamente 2685 hectares, o projeto visa produzir, durante seus três anos de implantação, mais de 5 milhões de mudas nativas.

O IBFLORESTAS vê esse projeto não só como um instrumento de fomento à produção de mudas, mas como uma ferramenta de inclusão social e de difusão de idéias socioambientais inovadoras.

Para Nestor Pereira Colete Junior, diretor geral da penitenciária Agente Aparecido De Pieri - Dracena-SP, o projeto socioambiental pode trazer muitos benefícios para os presos, porque, por meio deste, eles serão capacitados a trabalharem nesta área ambiental e posteriormente, poderão conseguir um emprego no ramo. “Além disso, existe também o objetivo de denominar esses presos como viveiristas, recebendo até mesmo certificados de cursos da área”, observa.

De acordo com ele, existe uma boa expectativa em relação à execução do projeto. Segundo o diretor da penitenciária, a região de Dracena é em sua grande maioria composta por usinas de cana-de-açúcar e trazer esse projeto pode estimular toda a sociedade a ter consciência socioambiental.

O Projeto Socioambiental de Dracena será um exemplo para outras empresas, do segmento ou não, para investirem em um projeto que dissemine não só ideais preservacionistas, mas promova, também, ideais sociais.

Termos mais procurados: Mudas Nativas; Apoio a Projetos; Viveiro Familiar; Plante Árvore; Sementes do Trabalho.

Em: http://www.ibflorestas.org.br

COMO APRENDEMOS A ANDAR NO MATO

COMO APRENDEMOS A ANDAR NO MATO
qua, jan 20, 2010Artigos
Por: Marcos de Sá Corrêa





Caminhar no mato parece a coisa mais natural do mundo, pelo menos desde que nossos ancestrais desceram das árvores e adotaram esta postura instável, que nos condena a problemas de coluna e, em troca, libera os membros superiores para tarefas mais elevadas – como estapear mosquistos ou empunhar o telefone celular para fotografar cada passo da jornada.
Mas, apesar dessa aparente naturalidade, andar no mato é uma invenção recente, que talvez por isso no Brasil ainda depende de empresas especializadas e guias meio fanáticos, para apontar aos desavisados o caminho das trilhas como se elas fossem a estrada de Damasco. Basta um dia de enchente humana num parque nacional para ver o bom serviço que eles prestam. Sem seu fervor quase evangélico, as picadas estariam às moscas. Ligando geralmente o nada a lugar nenhum, elas dependem, para ter algum tráfego, da “caminhada romântica”, moda que, segundo o historiador Simon Schama, nasceu no século XIX e tem autor conhecido.


Chamava-se Claude François Denecourt. Antes dele, só se ia ao mato para derrubar árvore, matar bicho ou fugir da cadeia. Ele mudou isso radicalmente. Denecourt foi retratato pelo literato Theophile Gauthier como “um homenzinho vestido com simplicidade, portanto um chapelão e óculos, segurando o galho de azevinho que lhe serve de bastão para subir a encosta”. Ninguém se iluda. Seu despojamento era grife, sua fantasia de “Le Sylvain”, o gênio da floresta. A Nike, a Columbia, a Patagonia e outras etiquetas do ramo só viriam aprimorar o figurino dos caminhantes muitas décadas depois.
Denecourt foi, basicamente, um comerciante de conhaque em Fontainebleau, nos arredores de Paris. Ferido nas guerras napoleônicas, coxeava. Embora manco, era um andarilho infatigável, treinado em marchar por anos a fio de um lado para outro na Europa, arrastado com as campanhas do imperador como soldado do 88º Batalhão de Infantaria Ligeira. Ao dar baixa, conheceu a floresta de Fontainebleau quando ela caía aos pedaços. Fora uma reserva de caça real, e passou a ser tratada como terra de ninguém na França revolucionária – mais ou menos como por aqui, à falta de governo, fazem os grileiros da Amazônia.


Desmatada, defaunada e invadida, Fontainebleau sobreviveu aos tropicões da história francesa porque Denecourt promoveu sua reciclagem como lugar de passeio. Ele abriu pessoalmente 300 quilômetros de picadas na floresta. Batizou itinerários, árvores e pântanos. Transformou em refúgios rústicos as cavernas que antes tinham fama de abrigar bandidos.
Sua influência foi, literalmente, incomensurável. Chegou até a concepção original do Central Park em Nova York ou, para ficar mais perto, à Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. Aliás, todo jardim do paisagista Auguste François Glaziou, que reinou na corte de D. Pedro II, não deixava de ser uma espécie de miniatura da Fontainebleau de Denecourt.
Fontainebleau, onde Deneccourt é nome de rua e tem estátua en praça pública, continua cercada por 24 mil hectares de velhos bosques, preservados desde que, no rastro de Denecourt, foram parar lá, de carruagem, os grã-finos do Império. Com eles vieram os pintores, toda uma geração pré-impressionista que arranchou no vilarejo de Barbizon, na beira do bosque, e cevou ali uma escola de paisagismo e um culto da natureza que serviu, nos Estados Unidos, para inspirar a decretação dos primeiros parques nacionais.
Em resumo, os guias de ecoturismo são apóstolos de Denecourt mesmo que não saibam. Como ele, acreditam que caminhar no mato não é coisa que se nasça sabendo. É algo que se aprende. Como todo passo civilizatório.

http://marcossacorrea.com.br

OCEANOS...



Em: http://www.oeco.com.br

I make plans...

I make plans...





Maira Kalman


Ouvir o alar de aromas, o florir das flores, o sonho das sementes... Ver a cor das palavras... Ouvir a luz...
O desejo é um canto cor-de-rosa arrolando o Mundo... É a música das esferas.
(...)
O desejo é a grande tentação misteriosa e suprema... O desejo das vitórias impossíveis ainda, das posses inefáveis, da beleza que vai além de todos os horizontes...
A vida enamorada de si mesma a procurar-se...para ser mais bela e tornar-se maior...
A vida é desejo, ânsia, insatisfação, movimento eterno.
O Desejo é uma saudade de Deus.

Augusto Casimiro . "O Livro dos Cavaleiros" . Seara Nova 1922

Em: http://cheirar.blogspot.com/

Para meu amigo Nirmal...

Autor: Regina Motta

A Flor de Lótus possui muitas histórias e lendas, é uma paixão asiática cultivada desde tempos remotos.

[C0]

É venerada em todo o mundo por milhões de pessoas que a consideram o símbolo máximo da pureza espiritual. Chegou ao ocidente no século IV antes de Cristo. Presenteados pelos egípcios, foram os gregos os primeiros a conhecê-la. A flor espalhou-se pelo restante da Europa, onde foi apreciada por sua beleza, particularmente pelos pintores.

A história conta que certos povos da América Central já a conheciam. Sacerdotes do México, por exemplo, embriagavam-se com o efeito alucinógeno produzido por um extrato da planta pouco antes dos primeiros espanhóis pisarem na América.

Ao Brasil, o lótus foi trazido pelos japoneses no século de XX.


Possui flores brancas e, em geral, é cultivada com fins de ornamentação, em jardinagem e paisagismo.
A espécie foi empregada pelos antigos na fabricação de pão e uma espécie de bebida. Segundo estudiosos, servia como alimento ao povo da Líbia.

De acordo com algumas lendas gregas seu suco teria a propriedade de gerar nos estrangeiros a vontade de permanecer na terra e não regressar.

Na África setentrional existia um povo que se alimentava desta planta.


A fama da Flor de Lótus transcende o âmbito espiritual e seu fascínio atinge também os estudiosos da Botânica.

Há muito tempo que estes especialistas tentam desvendar alguns enigmas que a planta segreda. Pesquisadores da Universidade de Adelaide na Austrália, por exemplo, estudam uma estranha característica da flor: assim como os seres humanos, ela é capaz de manter sua temperatura em torno de 35 graus. Esse sistema de auto-regulação de calor, compreensível em organismos complexos, como ocorre com os mamíferos, continua inexplicável para a Ciência.

Ainda outros cientistas do Instituto Botânico da Universidade de Bonn, na Alemanha, estudam outra curiosidade do lótus: suas folhas são auto-limpantes, isto é, têm a propriedade de repelir microrganismos e poeiras. Devido a isto consideram-na potencialmente útil para ser aplicada na limpeza doméstica e afins.

Informações sobre a Flor de Lótus: Nelumbo nucifera
Lótus , Lótus-da-índia , Lótus-sagrado , Flor-de-lótus.

Tipo: Planta (Tipo: Herbácea Herbácea).
Sinonímias: Nelumbium nuciferum Gaertn., Nelumbium speciosum Willd., Nymphaea nelumbo L..
Família: Nymphaeaceae.
Altura: 0,5 m.
Diâmetro: 1 m.
Ambiente: Pleno Sol.
Solo: Brejoso, Água.
Clima: Tropical de altitude, Subtropical, Tropical, Tropical úmido, Temperado.
Origem: Ásia.
Época de Floração: Verão.
Propagação: Rizomas, Sementes.
Mes(es) da Propagação: Primavera, Verao, Outono, Inverno, Ano Todo.
Persistência das folhas: Caduca.
Obs: Os tanques ou lagos devem ter 0,5 m a 0,7 m de profundiade e 3 m de diâmetro ou lado. As flores ficam abertas durante uma semana. Suas sementes são comestíveis. Floresce melhor em climas mais frios, como no sul do Brasil.

Entretanto, apesar de sua unânime beleza, sua utilidade polivalente em jardinagem, paisagismo e especialmente na esfera medicinal, das curiosidades que suscita, e das lendas que inspirou, indubitavelmente sua representatividade destaca-se no plano metafísico


O Signo da Flor de Lótus - 3 de fevereiro a 1 de março

Na opinião dos antigos alquimistas, o Horóscopo Floral é uma súmula da sabedoria dos Atlantes.
Este horóscopo está resumido em Lições da Atlântida : Seres humanos são flores, Seres humanos são flores - Parte 2,Seres humanos são flores - Final com algumas informações sobre todos os signos.

Desde tempos imemoriais, a Flor de Lótus é considerada, na Índia, como símbolo das pessoas iluminadas que descobriram sua unidade com as forças do Universo.



Ela faz parte das plantas aquáticas, tem suas raízes no lodo da terra, mas seu longo caule chega até a superfície da água, buscando os raios do sol que fazem com que sua flor, radiantemente pura, desabroche. O lodo da terra representa nossoenraizamento no mundo terreno – a água é símbolo do mundo dos sentimentos e a flor é a representação da vitória sobre as ilusões transitórias da vida física.

Os nativos deste signo têm, como objetivo, conseguir a união entre corpo e espírito – a unidade fraternal.

Em geral, são pessoas sensíveis e vulneráveis e que, para se defender, se vestem de uma couraça de rigidez exterior. Apenas para os íntimos elas demonstram sua vulnerabilidade.

Quem priva da intimidade dos nativos da flor de lótus, descobre que a aparente frieza e controle das emoções, encobre um sentimental, que tenta não chorar diante de um filme triste, prefere engolir um golpe a partilhá-lo com os demais e não suporta discussões onde aparecem opiniões contraditórias.

São pessoas extraordinariamente aptas a organizar reuniões e procuram trabalhar em profissões onde podem ajudar os outros. Quando bem desenvolvidos, são amantes da paz. Compreensivos, intuitivos e predispostos ao sacrifício pessoal. Preservam sua tranqüilidade a ponto de se esquecerem de dizer um “não” decisivo em questões que o incomodam.

Em sua grande maioria, têm uma visão confusa de sua própria personalidade. Não conseguem estabelecer limites rígidos com os outros e preferem se fundir com o ser amado ou com uma idéia altruísta.

Frequentemente procuram um parceiro conjugal dominador ou superior o que leva a um sentimento de serem injustamente tratados pelo parceiro dominador. Precisam aprender a unir-se harmoniosamente com o outro sem abdicar de sua própria força.

Com os nativos da Flor de Lotus combinam especialmente bem os signos da
Falando de flores: Violeta, Falando de flores: Orquídea , Falando de flores: Lírio, Falando de flores: mandrágora, Hibisco.


Em: http://ajudandonatureza.ning.com

Pra chamar de minha!

Pra chamar de minha
27/01/2010, 18:02

No turbilhão de alternativas energéticas limpas que vêm surgindo nos últimos anos, algumas são realmente acessíveis e aplicáveis do nosso cotidiano nas cidades. A última foi uma micro turbina eólica destinada ao uso doméstico. Criação do designer francês Philippe Starck, milionário conhecido pelas suas invenções mirabolantes, a turbina pode ser colocada no jardim ou no telhado de casa e tem potência de 400W. A engenhoca, chamada Revolutionair, vai começar a funcionar na cidade italiana de Siena e será comercializada pelo preço inicial de 2500 euros. Para Starck, a produção de energia deve deixar de ser apenas uma necessidade e se tornar parte do desejo dos consumidores na hora de construir ou equipar suas casas. "A energia não deveria ser uma punição. Nós deveríamos criar o desejo (nas pessoas para que elas produzam isso)", disse hoje (27) o designer durante apresentação do produto.
Em: http://www.oeco.com.br

RAÍZES

RAÍZES

Só gosto dos poemas que não posso escrever,

porque dentro de mim há um olhar que me vê e é cego.

Meus escritos são grãos de terra

Escavo às escondidas uma solidão sem fala.

Se nenhum silêncio habita, Deus parece morto.

Todo tempo é pouco quando a voz sussurra

E clama o sopro o poema as náuseas

de quem ainda vivo, respira.

Meu dizer é humus, bom de abraçar raízes.

By Flávia Muniz

Em : http://boatardesenhorsmith.blogspot.com/

POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS

BOLETIM 474 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS‏
De:AS-PTA (boletim@aspta.org.br)
Enviada:sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 18:07:06
Para:arteconjunta@hotmail.com
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 474 - 22 de janeiro de 2010

Car@s Amig@s,

O estudo recente de pesquisadores franceses que aponta impactos do milho transgênico à saúde chama atenção não só pelos danos que comprova, mas principalmente por mostrar que chegou-se a tais conclusões após análise criteriosa de estudos da própria Monsanto. São esses dados exatamente os mesmos analisados por órgãos reguladores e que a empresa manteve sob sigilo até ser obrigada judicialmente a torná-los públicos. A divulgação permitiu que o biólogo molecular Gilles-Eric Séralini e sua equipe comparassem os efeitos das variedades MON 863, NK 603 e MON 810 sobre a saúde de mamíferos. As duas últimas estão aprovadas no Brasil, bem como a semente resultante de seu cruzamento.

Cada um desses milhos provocou reações diferenciadas no organismo das cobaias, mas em comum apresentaram efeitos colaterais novos que variaram em função do sexo e da dose ingerida, concentrando-se principalmente sobre fígado e rim, órgãos ligados à eliminação de impurezas. Em quase todos os ratos de todos os grupos tratados com ração de milho transgênico observou-se tendência a distúrbios fisiológicos.

Tão precários são os dados submetidos às autoridades, que além de o número de ratos testados ser pequeno demais para se aplicar uma análise estatística com boa margem de confiança, em nenhum momento está demonstrado que a ração fornecida ao grupo controle era de milho não-transgênico.

Em função da baixa qualidade dos dados, a equipe de Séralini afirma ter chegado a claros “sinais de toxicidade” resultante da ingestão das três variedades de milho testadas, frisando a diferença desses para “efeitos tóxicos”, estes sim deletérios no curto ou médio prazo. Para obter-se confirmações mais incisivas seria necessário repetir os testes -- que foram feitos uma única vez --, usar outras espécies como cobaia e estender o período de avaliação de 30 ou 90 dias para dois anos.

No caso do NK 603, os dados apontam perda renal e alterações nos níveis de creatinina no sangue e na urina, que podem estar relacionados a problemas musculares. É por esse motivo que os pesquisadores destacam que o coração foi afetado nos ratos alimentados com esta variedade. A alteração do tamanho dos poros da membrana renal, como evidenciado pelos dados, pode ser resultado da presença de resíduos de glifosato, ingrediente ativo do herbicida aplicado sobre esta variedade de milho. A CTNBio, por sua vez, informa que “o milho NK603 é tão seguro quanto às versões convencionais”, que a modificação genética “não modificou a composição nem o valor nutricional do milho”, que “há evidências cientificas sólidas de que o milho NK 603 não apresenta efeitos adversos à saúde humana e animal” e que “o valor nutricional do grão derivado do OGM referido tem potencial de ser, na realidade, superior ao do grão tradicional”.

O quadro para o MON 810 não muda muito. Embora os machos em geral demonstrem maior sensibilidade a tóxicos, foram as fêmeas que apresentaram ligeiro aumento do peso dos rins, que pode corresponder a uma hiperplasia branda, geralmente presente quando associada a processos imunoinflamatórios.

Por essas e outras os autores do artigo publicado noInternational Journal of Biological Sciences concluem que os dados sugerem fortemente que estas três variedades de milho modificado induzem a um estado de toxicidade hepatorrenal, que pode resultar da exposição a pesticidas (glifosato e Bt) que nunca fizeram parte de nossa alimentação. Já a CTNBioavalia que no caso do MON 810 “os efeitos intencionais da modificação [genética] não comprometeram sua segurança nem resultaram em efeitos não-pretendidos” e que a “proteína é tóxica somente para lagartas”.

Ao contrário da certeza prontamente manifestada por nossos próceres doutores, os dados da própria Monsanto, quando rigorosamente analisados, não permitem que se demonstre que seus produtos são seguros para o consumo humano ou animal.

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Mais sobre o tema:





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Neste número:

1. SC: Milho transgênico dá prejuízo
2. O drama da resistência anunciada: mato coloca glifosato em xeque
3. Agricultores dos EUA pedem reavaliação da Atrazina
4. Plásticos que embalam comida: FDA começa a admitir riscos
5. A gripe suína e a influenza dos laboratórios

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

MÃE - Mutirão de Agricultura Ecológica

Eventos:

Oficina: O Avanço das Lavouras Transgênicas no Brasil - Situação Atual, Normativas, Riscos e Perspectivas para 2010

O Seminário Internacional sobre Soberania Alimentaracontecerá neste sábado (23), em Santa Maria - RS, durante a Feira Mundial e Fórum Social de Economia Solidária. O evento terá início às 9:00 h.

Na parte da tarde, acontecerá uma oficina de troca de saberes e sementes crioulas. Todos os participantes do evento estão convidados a trazer suas experiências e materiais, livros, cartilhas, pesquisas ou documentários sobre sementes crioulas.

Local: Santa Maria - Centro de Referência em Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter.

Veja a programação completa dos eventos em:

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1. Milho transgênico dá prejuízo

O Diário Catarinense publicou em 18/01 uma matéria intitulada “Mais espaço para o milho transgênico”. Em verdade, título mais adequado seria “Milho transgênico dá prejuízo”.

Depois de comemorar um suposto aumento de 10% na produtividade do milho transgênico em relação ao convencional e a previsão de aumento da área plantada com o milho Bt no estado de Santa Catarina para quase 90% do cultivo, a matéria admite que “o otimismo não é completo”.

Segundo um agricultor entusiasta dos transgênicos, "O preço está péssimo e o custo de produção é muito alto. A saca de 60 quilos é vendida por R$ 17,50 e nos custa cerca de R$ 20". Ou seja, está pagando R$ 2,50 cada saca de milho produzida.

Melhor saída mesmo é adotar sementes crioulas, que proporcionam boas produtividades a custos baixíssimos -- e, portanto, renda líquida muito maior para o produtor (veja comparação de desempenho de lavouras convencionais e ecológicas no Paraná na safra 2008/09 emhttp://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/boletim/boletim-439-30-de-abril-de-2009/).


2. O drama da resistência anunciada: mato coloca glifosato em xeque

Pesquisadores e agrônomos reunidos na 1ª Conferência Pan-Americana sobre Resistência de Plantas Daninhas, que levou 300 especialistas a Miami (EUA), anunciaram o fim da tranquilidade da “era glifosato”, herbicida apontado como o produto mais eficiente já desenvolvido para o controle do mato no cultivo da soja. As ervas capazes de sobreviver a aplicações duplas já atingiram 40% das lavouras de soja (convencional e transgênica) no Paraná e cerca de 20% no Brasil, disseram pesquisadores brasileiros.

Essas plantas espalharam-se com rapidez, principalmente na América do Norte e na Europa, e agora encabeçam a lista das preocupações no Brasil. No país, estima-se que existem 21 espécies resistentes aos mais diversos agroquímicos, e que 4 delas não morrem quando recebem glifosato. (...)

Soluções estão sendo discutidas, mas todas envolvem aumento de custos. Além disso, as plantas resistentes tiram a tranquilidade do produtor. Quem fazia apenas uma aplicação de glifosato pode ter de percorrer a lavoura com pulverizadores até três vezes.

Das quatro plantas daninhas resistentes ao glifosato, a Coniza, conhecida como buva, é a que mais preocupa, pela rápida expansão e pela capacidade de suportar altas doses de agrotóxicos. As outras três são o azevém, o amendoim-bravo ou leiteira e o capim amargoso. O controle químico, nesses casos, é considerado mais eficiente que na buva. Todas essas ervas resistentes se concentram no Sul. A buva tem avançado rapidamente para o Centro-Oeste, disseram os especialistas.

“A buva resistente atingiu 1,8 milhão de hectares no Paraná e cerca de 4 milhões em todo o Brasil. Quatro anos atrás, os casos eram raros. Sabíamos que plantas resistentes podiam surgir, mas não de forma tão rápida”, disse o especialista em plantas daninhas Fernando Adegas, da Embrapa Soja. Ele conta que as perdas chegam a 30% com duas buvas por metro quadrado. Uma única planta produz 200 mil sementes, que podem viajar mais de 50 quilômetros mesmo quando não há vento forte, dizem os pesquisadores. (...)

Fonte:


N.E.: Os doutores da CTNBio que aprovaram a soja transgênica tolerante ao glifosato sempre negaram as previsões -- óbvias, por sinal -- que alertavam sobre o rápido e inevitável desenvolvimento de resistência ao produto nas plantas invasoras. A tecnologia RR tende a ter vida curta. Infelizmente, porém, deixará para trás um rastro de destruição, como a contaminação dos solos e lençóis freáticos. Além disso, o mato tolerante ao glifosato levará -- ou melhor, já está levando -- os agricultores a buscarem venenos muito mais tóxicos do que o próprio glifosato. Basta lembrar que a CTNBio já deu sinal verde para plantio experimental da soja transgênica resistente ao veneno 2,4-D, ingrediente do agente laranja e classificado pela Anvisa como extremamente tóxico (saiba mais no Boletim 444). A soja Basf-Embrapa, aprovada no final de 2009, tampouco é opção viável. Na edição 471 deste Boletim mostramos porque essa “nova” tecnologia representa uma volta ao passado que só fará aumentar o custo de produção e a degradação do solo.

3. Agricultores dos EUA pedem reavaliação da Atrazina

A atrazina é um herbicida produzido pela Syngenta que tem seu uso autorizado no Brasil para as culturas agrícolas do abacaxi, cana-de-açúcar, milho, pinus, seringueira e sisal. A classificação toxicológica realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) o definiu como medianamente tóxico.

Segundo a ONG Pesticide Action Network (PAN)http://www.panna.org/resources/panups/panup_20100108, grupos de agricultores familiares em todo o Centro-Oeste dos Estados Unidos estão pedindo à Agência de Proteção Ambiental (EPA) daquele país que dê prioridade à ciência independente e reavalie o agrotóxico.

Em uma carta enviada à Administradora da EPA, Lisa Jackson, mais de uma dúzia de grupos defendem que só um processo totalmente transparente e que rejeite pesquisas tendenciosas produzidas pela própria fabricante do herbicida irá resultar em uma revisão que possa servir aos interesses dos agricultores, do público em geral e do ambiente. "Como os agricultores são a linha de frente da exposição a substâncias químicas, precisamos que a EPA tome decisões científicas baseadas no interesse de nossa saúde, da saúde de nossa família e da saúde da nossa comunidade", disse Paul Sobocinski, criador de gado do sudoeste de Minnesota.

Segundo a PAN, entre 1998 e 2003 cerca de sete milhões de pessoas nos Estados Unidos foram expostas, através da água de beber tratada, à atrazina em níveis acima daqueles autorizados por órgãos estaduais e federais de saúde.

A atrazina provoca desequilíbrio do sistema endócrino, podendo interagir com o sistema hormonal e afetar a saúde negativamente mesmo em níveis extremamente baixos. A ONG informa ainda que estudos demonstram que a atrazina pode afetar o sistema reprodutivo humano, diminuindo a contagem de espermatozóides e a fertilidade.

A atrazina também tem sido associada ao elevado risco de vários tipos de câncer, incluindo o linfoma não-Hodgkin, câncer de mama e de próstata. Os cientistas descobriram que os baixos níveis de atrazina produzem castração química em sapos e pode induzir aborto em roedores de laboratório.

Fontes:
- Agrotóxicos, Transgênicos e Outros Contaminantes, 15/01/2010.

- Pesticide Action Network Updates Service (PANUPS), 08/01/2010.

4. Plásticos que embalam comida: FDA começa a admitir riscos

O FDA, órgão do governo estadunidense responsável pela regulamentação de medicamentos e alimentos, mudou de posição ao expressar preocupação sobre os possíveis riscos para a saúde associados ao bisfenol-A (cuja sigla em inglês é BPA), um componente de plásticos amplamente usado em garrafas e embalagem de alimentos. Em 2008 o FDA havia declarado que o BPA era seguro.

Na última semana o FDA declarou que tinha “alguma preocupação sobre os potenciais efeitos do BPA sobre o cérebro, comportamento e próstata de fetos, bebês e crianças”, e que se juntaria a outras agências federais de saúde para estudar o componente químico em animais e humanos.

A mudança de postura do FDA é vista como um exemplo de que a saúde pública está sendo tratada de maneira mais séria sob a administração Obama.

O BPA é usado desde a década de 1960 para fazer garrafas plásticas, mamadeiras e copos de treinamento para crianças pequenas e revestimento de latas para acondicionamento de alimentos e bebidas, incluindo as latas usadas para embalar fórmulas infantis. Recentemente, após o BPA ter se tornado conhecido especialmente entre pais, os principais fabricantes de mamadeiras e copos infantis deixaram de usar o químico nestes utensílios [nos EUA]. O Canadá já proibiu o uso de BPA em produtos infantis. Chicago e Suffolk County, em Nova Iorque, fizeram o mesmo. O plástico contendo BPA é geralmente marcado com o número 7 no símbolo da reciclagem.

O BPA pode lixiviar do plástico para os alimentos. Um estudo envolvendo mais de 2 mil pessoas descobriu que mais de 90% apresentavam BPA na urina. Traços do produto químico também foram encontrados em leite materno e no sangue de mulheres grávidas e de cordões umbilicais.

O governo estadunidense irá gastar US$ 30 milhões em pesquisa sobre os efeitos do BPA em humanos e animais. As pesquisas deverão levar entre 18 e 24 meses.

Extraído de:
New York Times, 16/01/2010.
Leia a íntegra da reportagem, em inglês, em:

Em: http://pratoslimpos.org.br/?p=695

5. A gripe suína e a influenza dos laboratórios

Quatorze membros da Assembleia Parlamentar europeia asseguram que as companhias farmacêuticas influíram sobre os responsáveis da saúde pública para promover suas vacinas no episódio do surto de gripe suína. Um especialista da OMS admitiu que seu instituto é financiado por um laboratório.

O jornal argentino Página/12, publicou uma longa reportagem sobre o caso, que foi traduzida para o português por Vanessa Aves. Leia abaixo alguns trechos:

(...) A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE) trataria o tema na sua sessão que começa dia 25 deste mês. Sua Comissão de Saúde convidou para essa mesma semana a OMS e os laboratórios farmacêuticos envolvidos, segundo afirmou o presidente Assembleia, o epidemiologista alemão Wolfgang Wodarg. Segundo a moção apresentada pelos quatorze parlamentares de diferentes setores, “com o propósito de promover suas drogas e vacinas patenteadas contra a gripe, as companhias farmacêuticas influenciaram cientistas e agências oficiais, responsáveis pela saúde pública, para alarmar os governos no mundo inteiro. Desperdiçaram valiosos recursos em ineficientes estratégias de vacinação, e expuseram inutilmente a milhões de pessoas sãs ao risco dos efeitos colaterais desconhecidos de vacinas insuficientemente testadas”. (...)

Em uma extensa entrevista concedida ao jornal francês L'Humanité, Wodarg assegurou que a declaração de pandemia “não se justificava”. Só foi possível porque, em maio do ano passado, a OMS mudou sua definição do que constitui uma pandemia: antes, não só requeria que a doença espalhasse em muitos países ao mesmo tempo, mas tivesse consequências muito graves quanto a quantidade de casos mortais; na nova definição, suprimiu-se este critério e só se considerou o ritmo de difusão da doença”.
“Outra coisa que suscitou minhas suspeitas -- acrescentou Wodarg -- foi a recomendação da OMS de dar duas doses de vacina: não tinha nenhuma justificação científica. Também não se justificava sua recomendação de utilizar vacinas patenteadas: era perfeitamente factível, como cada ano, completar as vacinas da gripe estacional com as partículas antivirais específicas para o novo vírus.” Segundo Wodarg, estas novas vacinas implicam “um risco, já que, na pressa, em alguns casos, utilizaram coadjuvantes insuficientemente testados”, referindo-se especificamente à “ vacina elaborada pela Novartis”, produzida mediante “uma técnica que jamais havia sido utilizada até o momento”.

Wodarg também denunciou que “Klaus Stöhr, que era o chefe do Departamento de Epidemiologia da OMS na época da gripe aviária, e que preparou então os planos destinados a enfrentar uma eventual pandemia, logo passou a ser um importante funcionário da empresa Novartis. Vínculos similares existem entre marcas como Glaxo ou Baxter e membros influentes da OMS”. (...)

Compras desmesuradas

A Grã-Bretanha e a Alemanha, como já o tinham feito a Espanha e a França, decidiram cancelar ordens de compra de vacinas contra a gripe A (H1N1). O Departamento de Saúde britânico anunciou que renegociará seus contratos com Baxter International e com Glaxo-Smith-Kline e a Alemanha se propõe a cancelar a metade dos 50 milhões de doses que tinha ordenado a Glaxo-Smith-Kline.

Na segunda-feira passada, a ministra da Saúde francesa anunciou o cancelamento de 50 milhões dos 94 milhões de doses que esse país tinha encarregado a Sanofi-Aventis, Glaxo-Smith-Kline, Novartis e Baxter. Em dezembro, a Espanha tinha anunciado que se propunha a devolver doses sem usar a vacina. A Holanda e a Suíça planejam enviar o excesso de vacinas aos países nos quais ainda há carência.

Uma das razões é que “todos os programas de vacinação se organizaram sobre a base de fornecer duas doses, mas resultou que só é necessário uma para conseguir a imunização”, conforme explicou o Centro Europeu para o Controle e Prevenção de Doenças.

Fonte:
Instituto Humanitas Unisinos, 16/01/2010.


Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

MÃE - Mutirão de Agricultura Ecológica

O Mutirão de Agricultura Ecológica é um desdobramento do projeto “Estágio de Vivência em Assentamentos Rurais - a geografia vai ao campo”, que se desenvolveu no período de 1996 a 2004 na Universidade Federal Fluminense.

Trata-se de uma nova perspectiva de ensino, saindo da sala de aula, com a intenção de aproximar o estudante das diversas realidades agrárias do país. Após intenso processo de preparação, cada estudante vive por duas semanas na casa de uma família de agricultores assentados. Essa experiência, a partir da vivência com a realidade, proporciona a integração do tripé ensino-pesquisa-extensão.

Em meados de 2006, os integrantes do estágio de vivência (que havia sido retomado em 2005), com o apoio do Grupo de Agricultura Ecológica - GAE da UFRRJ, condensaram essas influências sob a forma do projeto de extensão “Mutirão de Agricultura Ecológica - MÃE”, que foi aprovado para 2007 vinculado ao curso de Geografia da UFF.

O processo de compreensão da agroecologia no MÃE vem sendo construído a partir de múltiplas metodologias apoiadas na construção coletiva e autônoma do conhecimento. A busca por uma prática diferenciada leva à vivência no meio rural, colocando o estudante em contato direto com os agricultores familiares do estado do Rio de Janeiro. As intervenções se apóiam nas discussões feitas no grupo de estudos do MÃE, construindo um processo de aprendizado dinamizado por uma grande rede que vai sendo formada.

O grupo também realiza anualmente uma semana sobre agroecologia. São organizados mini-cursos com a participação de parceiros de redes e grupos de agroecologia, professores, agricultores, técnicos, estudantes e demais agentes envolvidos com o tema. É um momento de divulgação e debates sobre pensamento agroecológico, com atividades teóricas e práticas. É também um momento de renovação do grupo, onde há um retorno do trabalho construído ao longo do ano. O grupo, que num primeiro momento era formado principalmente por estudantes de geografia, passou no decorrer de suas atividades a incluir estudantes de outros cursos e até de outras universidades.

À medida em que se institucionalizou, o grupo começou a contar com o recurso de uma bolsa de extensão. Foram adquiridos aportes instrumentais, como ferramentas, resultando numa melhora enorme da qualidade das intervenções e organização. Atualmente são três SAFs (Sistemas Agroflorestais) em andamento, produzindo sementes de feijão-de-porco, crotalária, guandu, girassol e frutíferas como banana.

Muito se aprendeu desde a construção desse espaço no interior da universidade. Os estudantes puderam vivenciar a dinâmica da natureza e da recuperação da vida, construindo conhecimento empiricamente. Houve trocas com outros grupos e outras experiências. Esta é uma maneira através da qual a universidade pode formar novos profissionais, pessoas que trabalharão de maneira integrada com a sociedade, considerando as condições locais, percebendo o processo conjunto de construção do conhecimento e construindo participativamente.

Adaptado de:
MÃE - Mutirão de Agricultura Ecológica

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Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e é de livre reprodução e circulação, desde que citada a AS-PTA como fonte.

Para os números anteriores do Boletim, clique em:http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/boletim/

Participe! Indique este Boletim para um amigo e nos envie suas sugestões de notícias, eventos e fontes de informação.

Para receber semanalmente o Boletim, escreva paraboletim@aspta.org.br

AS-PTA: Tel.: (21) 2253-8317 :: Fax (21) 2233 8363
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

2010 Ano Internacional da Biodiversidade


IYB Calendar

21 and 22 January 2010, UNESCO, Paris - High-level Inaugural Event: Presentations and discussions by influential decision- and policy-makers, experts and opinion-makers to raise awareness on the global biodiversity challenge;

21 January 2010, UNESCO, Paris - Launch of IYB travelling exhibition: Exhibition conveying the main IYB messages to raise awareness among, and to educate policy and decision-makers, students and general public audiences;

25 to 29 January 2010, UNESCO, Paris - UNESCO IYB Biodiversity Science-Policy Conference: Scientific conference to contribute to knowledge on biodiversity responses to climate change and priority setting for the science-policy interface, research and funding;

27 January 2010 - Special Side Event on Gender and Biodiversity: UNESCO IYB Biodiversity Science-Policy Conference — Workshop exploring the links between gender and biodiversity to provide recommendations for taking into account the gender perspective in biodiversity- related research, policies and management.

June/July 2010, Montreal, Canada - International Conference on Biological and Cultural Diversity: International conference to exchange knowledge and practices linking biological and cultural diversity and to elaborate a programme of work to be jointly implemented by UNESCO, the CBD and other partners;

October 2010, CBD COP meeting Nagoya, Japan - Launch of Biodiversity Learning Kit: Educational kit on biodiversity for teachers and trainers to raise awareness and educate young and wider public audiences through an easy-to-use and appealing tool.


  • http://portal.unesco.org/

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

TESTE DE PERCEPÇÃO AMBIENTAL

Teste de percepção ambiental

Para 2010, um dos nossos votos é conseguir responder a todas as questões do teste de percepção ambiental que encontrámos no livro Ecologia Profunda, de Bill Devall e George Sessions, e que abaixo vos apresentamos.

Para saber o que é a Ecologia Profunda, ver por exemploaqui ou aqui.

Recomendamos nesta área também a seguinte leitura:
Blake, Heidegger, Buddhism, and Deep Ecology: A Fourfold Perspective on Humanity's Relationship to Nature, de Louise Economides


Voltando ao teste, este visa apurar quão profundo é o conhecimento que a pessoa tem sobre a região onde habita, em especial no que ao ambiente natural diz respeito. Dado que o projecto da Horta Popular visa fortalecer uma cultura do "local" em detrimento da impessoal cultura global, ter um conhecimento profundo do local que se habita é um passo nesse sentido e uma consequência natural.

Para saber o seu resultado, basta multiplicar o número de perguntas para as quais conhece a resposta por 3,7 e ao resultado, que virá em percentagem, aplicar a sua própria avaliação. Afinal cabe a cada pessoa sentir se gostaria de conhecer melhor a sua biorregião, consoante as perguntas que viu no teste.

1. Assinale o itinerário da água que bebe, desde a precipitação até à torneira.
2. Quantos dias faltam para a lua cheia (margem de erro de dois dias)?
3. Descreva o solo que rodeia a sua casa.
4. Quais eram as técnicas de subsistência primária da(s) cultura(s) dos povos que existiram na sua região antes de nela se instalar a cultura a que você pertence?
5. Diga o nome de cinco plantas comestíveis nativas da sua biorregião e as estações em que se podem comer.
6. De que direcção sopram geralmente os ventos na sua região durante as tempestades?
7. Para onde vai o seu lixo?
8. Quanto tempo dura a estação agrícola no local onde vive?
9. Em que dia do ano são mais curtas as sombras do local onde vive?
10. Diga o nome de cinco árvores da sua região. Alguma delas é nativa? Se não fôr capaz de dizer os nomes, descreva-as.
11. Diga o nome de cinco aves permanentes da sua região e o nome de algumas aves migratórias.
12. Qual a história do uso da terra pelos seres humanos na sua bioregião durante o século XIX?
13. Qual o acontecimento/processo geológico primário que influenciou a superfície da terra onde vive?
14. Que espécies se extinguiram na sua área?
15. Quais são as principais associações vegetais na sua biorregião?
16. Do local onde está a ler este teste, aponte para o norte.
17. Aponte uma das primeiras flores selvagens a florir na Primavera no local onde vive.
18. Que tipos de rochas e minerais se encontram na sua biorregião?
19. Estiveram as estrelas visíveis na noite passada?
20. Diga o nome de alguns seres (não humanos) que partilham consigo o local onde vive.
21. Celebra o solstício de Verão ou de Inverno? Se sim, como os celebra?
22. Quantas pessoas vivem na casa ao lado da sua? Como se chamam elas?
23. Quanto combustível usa por semana, em média?
24. Que energia lhe fica mais cara? Que tipo de energia é?
25. Quais os recursos energéticos explorados e potenciais que existem na sua área?
26. Que planos existem para o desenvolvimento maciço de energia ou de recursos minerais na sua região?
27. Qual é a área selvagem mais vasta na sua biorregião?

Como as respostas variam com cada local, não poderemos fornecer soluções gerais, mas apenas específicas de cada local. Assim, desafiamos os nossos visitantes da região de Lisboa, onde se situa a Horta Popular, a enviarem-nos as respostas às perguntas que estão acima, quando aplicável, para numa posta futura colocarmos as soluções a este teste.
O email de Horta popular é: horta.popular.graca.mouraria[arroba]gmail.com
.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SOS:Serra do Espinhaço

Baixe o Livro Lavouras de Destruição: a (im)posição do consenso


14 Jan 2010 08:34:29 -0200, Cíintia Barenho wrote
> Baixe o Livro Lavouras de Destruição: a (im)posição do
>
consenso<http://centrodeestudosambientais.wordpress.com/2010/01/11/lavouras-
de-destruicao-a-imposicao-do-consenso-2/>
>
>
<http://centrodeestudosambientais.files.wordpress.com/2010/01/screenshot_001.
png>
>
> A foto da capa deste livro mostra uma lavoura de acácias,
> fotografada dois anos após a colheita. Como é fácil verificar,
> mesmo depois deste longo período, não há apodrecimento dos tocos, a
> terra está visivelmente desgastada, a impossibilidade de uso desta
> região ainda se alongará no tempo e, qualquer recuperação do solo,
> exigirá desmedido esforço humano e financeiro, motivo pelo qual, se
> encontra abandonada. Não só esta visão, não só este lugar comprovam
> o logro das promessas desenvolvimentistas do plantio de “florestas”.
>
> O local enfocado não é de um país ou município específico, mas,
> antes, repete-se aqui, acolá, alhures, não respeitando o tracejado
> de fronteiras, a barreira de oceanos, as carências humanas, ou os
> princípios civilizatórios mínimos baseados em valores éticos e morais.
>
> Esta foto mostra, com inequívoca clareza, o resultado dos empreendimentos
> desumanos de grandes conglomerados da exploração do agronegócio, que
> buscam lucro sem considerar ou se importar com qualquer
> consequência. As sequelas das atitudes de outros empreendimentos
> negociais também se sucedem em retratos de destruição: ao negócio de
> armas, pilhas de corpos extirpados, escombros e ruínas; ao lucro
> sempre crescente dos bancos, famílias endividadas, empresas falidas,
> países pagando eternas “dívidas externas”; ao negócio da indústria
> farmacêutica, o auxílio só para quem pode pagar; ao negócio do
> tabaco, patologias de câncer, infarto, amputações. Entretanto, todos
> têm pontos em comum; a exploração que desconsidera o homem e sua
> dignidade, o consumismo com o subsequente aniquilamento da natureza.
>
> Conta um dos autores que, em outubro de 2005, num seminário na
> “Facultad de Agronomía del Uruguay”, uma equipe de investigadores de
> vários países, coordenado pelo argentino Esteban Jobbágy, apresentou
> o trabalho “Forestación en pastizales: Hacia una visión integral de
> sus oportunidades y costos ecológicos”, demonstrando uma redução de
> 50% do rendimento hidrológico de regiões “reflorestadas” na
> Argentina e Uruguai. Este fato também é um retrato do Brasil.
>
> Como acresce outro colaborador: a concepção neoliberal da economia,
> na pretensão de se apresentar como a modernidade, traduz uma volta
> ao século XIX, atentando contra os direitos fundamentais, em suas
> diversas dimensões.
>
> O aspecto mais grave de sua investida revela-se na potencialização do
> sacrifício da natureza, passando pelo ataque e tentativa sistemática
> de desconstrução dos direitos fundamentais sociais e econômicos, sem
> cuja efetiva existência o exercício dos direitos e liberdades
> liberais tornase problemático ou circunscrito a uma parcela mínima
> da população.
>
> A América Latina, como um todo, continua sendo explorada e
> extorquida à exaustão em todas as suas potencialidades e riquezas.
> Segundo estudo de Saxe Fernández (baseado em informes do FMI e BIRD),
> em duas décadas a América Latina transferiu aos centros de poder
> econômico das nações desenvolvidas US$ 2.5 trilhões, na forma de
> pagamentos da dívida externa, por fugas de capital e pela diferença
> de preço pelos quais são vendidas as matérias primas.
>
> No Brasil, os gastos com a Dívida têm sido os mais onerosos do
> Orçamento da União. Em 2008, os juros e amortizações da Dívida
> Pública Federal alcançaram R$ 282 bilhões, mesmo se excluindo o
> “refinanciamento”, ou seja, o pagamento de amortizações por meio da
> emissão de novos títulos. Anualmente, pagamos US$ 8 bi em juros e
> permitimos a remessa para o exterior de mais US$ 20 bi de lucros dos
> bancos internacionais. Ao mesmo tempo, foram destinados somente R$
> 44 bilhões para a saúde e R$ 24 bilhões para a educação. Este
> privilégio dos gastos financeiros tem comprometido
> significativamente os gastos sociais, além de sacrificar as
> transferências a estados e municípios. A forma neoliberal de atuar é
> tortuosa e delituosa, mas, nos últimos tempos, tem prevalecido e
> aumentado a compra de políticos pelo mundo afora. O financiamento
> particular de campanhas propicia que empresas dos mais diferentes
> ramos consigam eleger seus representantes em processos eleitorais
> cada vez mais teatrais, ilusórios e enganadores. Com isto, alcançam maioria
> de votos em câmaras legislativas, pois muitos políticos hoje são, de
> fato, empregados de empresas com mandatos eletivos. Não é por nada
> que o campesino uruguaio e brasileiro registram que “os políticos os
> abandonaram”. Mas isto não sucede só aqui, pois embora Barak Obama
> represente “o oposto” dos Bush
> (pai e filho), assim como eles o fizeram, já nomeou empresários da Monsanto
> para cargos no governo.
>
> As empresas têm apresentado desde novos e fantásticos reagentes agrícolas
> até sementes modificadas geneticamente, afirmando que todos são produzidos
> por “cientistas”, “especialistas” e com os rigores da “ciência”
> sendo, assim, seguros e benéficos. Entretanto, bem ao contrário, são
> venenos ocasionando suicídios, doenças, baixa produtividade,
> contaminações. Isso é tão verdadeiro, que esses conglomerados
> proíbem que pesquisadores independentes realizem investigações sobre
> seus efeitos maléficos. O que se vê, na realidade, é que institutos
> de pesquisa e universidades têm sido cooptados pela mentalidade dos
> que controlam as “Comodities” e, cada vez mais, apoiados
> financeiramente por empresas de diferentes ramos, criam pequenos
> guetos, onde o paradigma da escala industrial de monocultivos é dominante.
>
> Os admiradores e defensores do agronegócio, idolatrado como gerador
> de divisas externas, desconsideram os financiamentos bilionários que
> são feitos pelos governos de todos os países, que privilegiam o seu
> baixo índice de produtividade, desdenhando as referências positivas
> de emprego e qualidade da agricultura familiar. Mesmo ante a “quebra
> do mercado” de 2008, ocasionada pela jogatina das grandes
> corporações nas bolsas de valores mundiais, as empresas do
> agronegócio e suas congêneres produtoras de inseticidas e herbicidas,
> reorganizaram-se financeiramente com valores sacados de cofres
> públicos e de governos comprometidos, para retomar a exploração
> predatória do meio ambiente e da cidadania do homem do campo.
>
> Nem mesmo a avassaladora onda publicitária, entretanto, está conseguindo
> dissimular todas as mazelas contidas nas falsas promessas
> desenvolvimentistas e cresce o número de cidadãos que se insurgem
> contra a exploração desenfreada dos nossos recursos naturais. E a
> própria natureza agredida está sendo a maior escola, “ensinando” com
> secas, tornados e enchentes jamais vistas, quer em intensidade, quer
> em quantidade, que devemos repensar nossas prioridades de vida.
> Paisagens antes inebriantes estão desfiguradas por extensas e
> monótonas incrustações de monocultivos, em vistas de desolação e
> destruição das nossas riquezas naturais, assemelhando-se, como no
> reino animal, a processos cancerígenos de pele. São lavouras de destruição!
>
> Vivemos um momento de crise que, sendo global, abarca a tudo e a
> todos, impedindo que mecanismos naturais de defesa do homem atuem de
> acordo com os seus princípios e desígnios; o desequilíbrio da
> natureza é evidente! Governos organizam suas políticas públicas
> privilegiando benefícios empresariais e o direito, em muitos
> processos omisso e comprometido, abandona os ditames legais para
> tergiversar na concessão de privilégios de cunho
> “desenvolvimentista”, alheios ao interesse coletivo.
>
> Os resultados de tais agressões generalizadas têm sido alarmantes. Cientes
> de tal situação, um grupo composto por pessoas de diferente países
> (Alemanha, Argentina, Áustria, Brasil, Uruguai) e de diversas áreas
>
> (professores universitários em sua maioria, pesquisadores,
> administradores), reuniram-se para narrar o que se passa em suas
> regiões, mostrando que o problema vivido não está circunscrito
> apenas a determinadas áreas. A ganância globalizada gera os mesmos
> resultados destruidores em todos os locais, aplicando os mesmos
> métodos de coação midiática e política – a imposição do consenso!
>
> Por isto, pouco a pouco, mesmo no vagar que caracteriza o aprendizado
> coletivo, muitos aguardam que as atenções se voltem para o uso
> adequado da água, ao excesso da produção de lixo, ao exagero
> consumista, contribuindo, desta forma, para uma colaboração benéfica
> entre os povos.
>
> As fronteiras não nos fazem diferentes na relação com a natureza e temos
> muito o que produzir e aprender conjuntamente.
>
> Agradecemos aos sindicatos que financiaram esta obra (Sinasefe,
> Adunicamp, Sintrajufe), depositando confiança no grupo e permitindo
> o desenvolvimento deste trabalho.
>
> Por fim, é claro que pessoas vindas de locais tão distantes e, a
> maioria sem ter sequer conversado, não apresentem a mesma opinião em
> todos os pontos, motivo pelo qual cada um se responsabiliza pelo seu
> conteúdo. É interessante observar, todavia, que todas narram os
> mesmos tipos de enfrentamentos, as mesmas consequências, os mesmos
> métodos empregados pelas empresas e apontam para as mesmas soluções;
> a valorização e o cuidado com o nosso planeta nos seus mais
> diferentes aspectos. Apesar dos capítulos terem sido organizados
> pela proximidade do ideário, a leitura pode ser feita na sequência
desejada.
>
> Nossa proposta é lançar luzes e debater mais profundamente o atual
> modelo de exploração predatório, mas esta é uma tarefa coletiva e,
> por isto mesmo, alonga-se no tempo. Não obstante, dada a sua
> urgência, estamos fazendo a nossa parte, oferecendo este livro como
> mais um ponto de reflexão, uma forma de união no enfrentamento do
> neoliberalismo enganador, o que é uma tarefa imperiosa do nosso tempo.
>
> Não visamos lucro, não objetivamos regalias, não temos contratos,
repassando
> esta obra sem custo a todos os que desejarem.
>
> Nossa saudação fraterna e boa leitura!
>
> Althen Teixeira Filho
> http://centrodeestudosambientais.wordpress.com/
>
> --
> "...A suficiência é uma relação mais livre que a necessidade..."
> Viveiros de Castro
>
> Cíntia Barenho
> Mestre em Educação Ambiental/FURG
> Bióloga -

A vaca, nossa ama-de-leite, e nós

"É necessário uma comunidade inteira para educar uma criança." (antigo provérbio africano)

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS SOBRE O TEMA

A vaca, nossa ama-de-leite, e nós

Por Sergio U. Dani, de Göttingen, Alemanha, 31 de dezembro de 2009

O convívio com as vacas representa para nós mais do que uma simples relação de consumo. As vacas passaram a fazer parte da família humana, influenciando nossos hábitos, nossa cultura e até a nossa própria
constituição genética. Você não acredita? Pois vou contar-lhe uma história fascinante de homens e vacas.

Desde que aprendeu a tirar leite de vaca, há mais de 10 mil anos, o ser humano passou a usar essa importante fonte de alimento. O leite é um excelente alimento porque contém tudo de que o organismo precisa para crescer e se manter vivo e saudável: água, proteínas, gorduras, açúcares, sais minerais e vitaminas.

Para digerir e absorver a lactose, um tipo de açúcar presente no
leite, nosso organismo necessita de uma enzima, um tipo de fermento
chamado lactase. O intestino das crianças, assim como o intestino dos
bezerros normalmente produzem essa enzima, porque os filhotes de
mamíferos habituaram-se ao consumo de leite durante milhões de anos de
evolução genética. Assim, a domesticação das vacas não representou
grande novidade para as crianças. Elas podiam digerir a lactose do
leite das suas amas de leite bovinas tão bem como digeriam a lactose
do leite das suas mães humanas.

Entretanto, quando os adultos provaram do leite das vacas pela
primeira vez – surpresa! Alguns passaram mal. Perceberam um aumento de
ruídos abdominais, notaram que a barriga ficava inchada e que
eliminavam mais gases. Quando aumentavam a dose de leite ou derivados,
surgia uma diarréia líquida, acompanhada de cólicas, ardência anal e
assaduras, dores de cabeça, coceiras no corpo e mal-estar geral.

Certamente esses infelizes adultos eram inteligentes o suficiente para
associar esses desagradáveis sintomas ao consumo de leite e derivados.
Isso deve ter atrasado o desenvolvimento da indústria de laticínios
algumas centenas ou milhares de anos.

Quando tudo parecia perdido, e tirar leite de vaca para beber parecia
mais uma loucura de quem não tinha o que fazer na vida, ou algo muito
perigoso para a saúde, eis que a situação começou a mudar rapidamente.

Notaram que alguns adultos felizardos não apresentavam nenhum daqueles
sintomas desagradáveis após consumir leite e derivados. Esses adultos
felizardos e suas famílias que toleravam leite de vaca e derivados
levaram uma vantagem tremenda sobre os que não toleravam esses
alimentos. Ordenhar vacas e consumir leite e derivados era uma
garantia de nutrição barata e saúde. Quem tinha vacas leiteiras já não
precisava perder tanto tempo e energia caçando ou plantando alimentos
e assim podia dedicar mais tempo a tarefas mais sofisticadas, como
fabricar ferramentas e armas.

Felizmente hoje nós sabemos qual é a base genética dessas diferenças
entre adultos que toleram leite e derivados e os que não toleram.
Entre os humanos, a maioria dos indivíduos perdia a atividade de
lactase na idade adulta, quando o leite deixava de fazer parte da
dieta. Até então não fazia sentido, no esquema de adaptação pela
seleção natural, manter a atividade de lactase em “estado
persistente”. É por isso que a constituição genética ancestral do ser
humano é a não-persistência de lactase na idade adulta. Mas, mesmo no
estado ancestral, sempre houve indivíduos mutantes que carregavam uma
instrução genética em seu DNA para manter a atividade de lactase na
idade adulta. Com a domesticação das vacas e o início da produção de
leite, esses indivíduos levaram vantagem sobre os tipos ancestrais e
assim foram selecionados favoravelmente. Com o tempo e as gerações
sucessivas, as famílias e as comunidades humanas com história de
criação de vacas leiteiras e consumo de leite e derivados foram
crescendo e assim transmitindo para seus descendentes a característica
genética de persistência de lactase na idade adulta.

Hoje nós sabemos que duas simples substituições de nucleotídeos na
cadeia do DNA do gen da lactase estão associadas com a persistência da
atividade dessa enzima na idade adulta. Estas são as substituições C/T
13910 (diz-se substituição de “C”, ou citosina por “T”, ou timina, na
posição 13910 do gen da lactase) e G/A 22018 (guanina por adenina na
posição 22018). A persistência de lactase é uma característica
mendeliana dominante que somente ficou vantajosa depois da invenção da
agricultura, quando o leite de animais domésticos ficou disponível
para os adultos beberem. A persistência de lactase correlaciona-se
fortemente com a história de criação de gado de uma população.

Hoje o leite de vaca e derivados alimentam bilhões de pessoas no
mundo. Apesar disso, boa parte da população mundial ainda é portadora
do estado ancestral que confere intolerância à lactose na idade adulta
(não-persistência de lactase), ou novas mutações que desativam
completa ou parcialmente o gen da lactase, gerando estados
constitutivos primários de malabsorção de lactose. Doenças intestinais
também podem causar intolerância à lactose mesmo em pessoas com
persistência de lactase. Essa condição é chamada de hipolactasia
secundária. O diagnóstico de uma condição ou de outra é clínico,
laboratorial ou genético.

Em pessoas com não-persistência de lactase, o tratamento deve ser
considerado exclusivamente se os sintomas da intolerância à lactose
estiverem presentes. As pessoas e os médicos tendem a excluir leite e
derivados da dieta. Entretanto, essa estratégia pode trazer sérias
desvantagens nutricionais. Vários estudos têm sido conduzidos para
encontrar soluções alternativas, tais como beta-galactosidase exógena,
yogurte e probióticos por sua atividade de lactase bacteriana,
estratégias que podem prolongar o tempo de contato entre enzima e
substrato atrasando o trânsito intestinal, e a ingestão crônica de
lactose para aumentar a adaptação colônica.

Vacas prenhas ou vacas-fábricas perenes: quando os hormônios naturais
e sintéticos das nossas amas-de-leite fazem mal à nossa saúde e à
economia

De criança, eu aprendi com meu avô médico e fazendeiro que eu só
deveria tomar leite de vaca conhecida. No curral, eu conhecia e
respeitava cada uma das minhas amas-de-leite bovinas, assim como
conhecia e respeitava meus avós, tias e tios, pais e irmãos. O
conselho está mais atual do que nunca. A maior parte do leite de vaca
que hoje nós tomamos é produzida por vacas prenhas ou vacas-fábricas
perenes que nós não conhecemos, porque estão em currais muito
distantes do nosso. Para aumentar seus lucros e garantir sua
sobrevivência econômica num mundo competitivo, os fazendeiros modernos
selecionam vacas capazes de produzir leite e bezerros
ininterruptamente, e ainda aplicam hormônios para aumentar a produção
de leite das nossas amas-de-leite.

O consumo crônico de leite e derivados de vacas prenhas faz mal à
saúde porque o leite de vacas prenhas contém uma quantidade mais alta
de estrógeno e progesterona, hormônios esteróides que afetam nosso
organismo de diversas formas, podendo inclusive causar algumas formas
de câncer sensíveis a hormônios esteróides, como os cânceres de mama,
ovário, útero e próstata.

Já a composição do leite de vacas que recebem injeção de hormônio de
crescimento sintético não parece ser significativamente diferente da
composição do leite das vacas que não recebem o hormônio, embora a
liberação total de IGF-I no leite aumente com o aumento da produção de
leite induzida pela aplicação do hormônio de crescimento. As
preocupações maiores decorrentes do uso do hormônio de crescimento
dizem respeito à saúde das nossas amas-de-leite e às economias dos
produtores rurais. O uso de hormônio de crescimento faz mal à saúde
das nossas amas-de-leite e também parece ser prejudicial para a
economia das fazendas. Vacas que recebem esse tipo de hormônio chegam
a aumentar sua produção de leite de mais de 20%, mas sofrem mais
problemas de saúde que vacas que não recebem hormônio.

Alguns estudos sugerem que o uso de hormônio de crescimento pode
ajudar a melhorar a produtividade das fazendas de leite e diminuir
alguns dos efeitos negativos sobre o meio-ambiente dessas fazendas,
quando comparadas às fazendas convencionais que não usam hormônio.
Entretanto, o uso de hormônio de crescimento acelera uma mudança
estrutural na indústria de leite e laticínios em direção à redução do
número das fazendas de leite e aumento do seu tamanho, sem,
entretanto, melhorar significativamente os números da economia.

Os pequenos produtores sofrem mais os efeitos negativos do uso do
hormônio sobre o faturamento com as vendas de leite e derivados, por
causa dos custos mais elevados dos insumos, menor capacidade de
geração de lucros, menor capacidade de produção de leite e taxas mais
baixas de adoção do uso de hormônio. As fazendas maiores se beneficiam
da adoção do hormônio somente se a demanda por leite e derivados for
mantida. Entretanto, a rejeição do hormônio pelo mercado pode induzir
quedas significativas de demanda, e assim diminuir o faturamento e o
número de vacas das grandes fazendas.

Enquanto os planejadores de mercado discutem soluções para esses
problemas, eu volto minha atenção para minhas amas-de-leite, seus
cuidadores e os consumidores em geral. Eles precisam de mais atenção e
respeito. Estudos recentes sugerem que o consumo excessivo de leite,
por melhor que seja esse leite, pode causar danos à saúde das pessoas
e dos países. Talvez seja a hora de pensar em redução de consumo e
produção onde há excessos, não em aumento indiscriminado de consumo e
produção. As soluções mais humanas e inteligentes para aumento de
produção e consumo de leite e derivados são aquelas que estão ao
alcance dos pequenos produtores e dos consumidores de menor poder
aquisitivo.

Leituras sugeridas:

Alexander NA, Carey HV. Oral IGF-I enhances nutrient and electrolyte
absorption in neonatal piglet intestine. Am J Physiol 1999 Sep;277(3
Pt 1):G619-25.

Berkey CS, Colditz GA, Rockett HR, Frazier AL, Willett WC. Dairy
consumption and female height growth: prospective cohort study. Cancer
Epidemiol Biomarkers Prev 2009 Jun;18(6):1881-7.

Blum JW, Baumrucker CR. Colostral and milk insulin-like growth factors
and related substances: mammary gland and neonatal (intestinal and
systemic) targets. Domest Anim Endocrinol 2002 Jul;23(1-2):101-10.

Burrin DG. Is milk-borne insulin-like growth factor-I essential for
neonatal development? J Nutr 1997 May;127(5 Suppl):975S-979S.

Burrin DG, Davis TA, Fiorotto ML, Reeds PJ. Role of milk-borne vs
endogenous insulin-like growth factor I in neonatal growth. J Anim Sci
1997 Oct;75(10):2739-43.

Capper JL, Castañeda-Gutiérrez E, Cady RA, Bauman DE. The
environmental impact of recombinant bovine somatotropin (rbST) use in
dairy production. Proc Natl Acad Sci U S A 2008 Jul
15;105(28):9668-73.

Collier RJ, Miller MA, McLaughlin CL, Johnson HD, Baile CA. Effects of
recombinant bovine somatotropin (rbST) and season on plasma and milk
insulin-like growth factors I (IGF-I) and II (IGF-II) in lactating
dairy cows. Domest Anim Endocrinol 2008 Jul;35(1):16-23. Epub 2008 Feb
13.

Dohoo IR, DesCôteaux L, Leslie K, Fredeen A, Shewfelt W, Preston A,
Dowling P. A meta-analysis review of the effects of recombinant bovine
somatotropin. 2. Effects on animal health, reproductive performance,
and culling. Can J Vet Res 2003 Oct;67(4):252-64.

Ganmaaa D, Sato A. The possible role of female sex hormones in milk
from pregnant cows in the development of breast, ovarian and corpus
uteri cancers. Med Hypotheses 2005;65(6):1028-37. Epub 2005 Aug 24.

Järvelä I, Torniainen S,m Kolho KL. Molecular genetics of human
lactase deficiencies. Ann Med 2009;41(8):568-75.

Jarvis JK, Miller GD. Overcoming the barrier of lactose intolerance to
reduce health disparities. J Natl Med Assoc 2002 Feb;94(2):55-66.

Kinoshita J, Suzuki N, Kaiser HM. An economic evaluation of
recombinant bovine somatotropin approval in Japan. J Dairy Sci 2004
May;87(5):1565-77.

Lean I, Westwood C, Playford M. Livestock disease threats associated
with intensification of pastoral dairy farming. N Z Vet J 2008
Dec;56(6):261-9.

Losinger WC. Welfare effects of the use of recombinant bovine
somatotropin in the USA. J Dairy Res 2006 May;73(2):134-45. Epub 2006
Feb 14.

Melnik B. Milk consumption: aggravating factor of acne and promoter of
chronic diseases of Western societies. J Dtsch Dermatol Ges 2009
Apr;7(4):364-70. Epub 2008 Feb 20.

Melnik BC. Milk--the promoter of chronic Western diseases. Med
Hypotheses 2009 Jun;72(6):631-9. Epub 2009 Feb 15.

Montalto M, Curigliano V, Santoro L, Vastola M, Cammarota G, Manna R,
Gasbarrini A, Gasbarrini G. Management and treatment of lactose
malabsorption. World J Gastroenterol 2006 Jan 14;12(2):187-91.

National Medical Association. Lactose intolerance and African
Americans: implications for the consumption of appropriate intake
levels of key nutrients. J Natl Med Assoc 2009 Oct;101(10
Suppl):5S-23S.

Perino A, Cabras S, Obinu D, Cavalli Sforza L. Lactose intolerance: a
non-allergic disorder often managed by allergologists. Eur Ann Allergy
Clin Immunol 2009 Feb;41(1):3-16.

Phipps RH, Hard DL, Adriaens F. Use of bovine somatotropin in the
tropics: the effect of sometribove on milk production in western,
eastern, and southern Africa. J Dairy Sci 1997 Mar;80(3):504-10.

Qin LQ, Wang PY, Kaneko T, Hoshi K, Sato A. Estrogen: one of the risk
factors in milk for prostate cancer. Med Hypotheses 2004;62(1):133-42.

Rotz CA, Zartman DL, Crandall KL. Economic and environmental
feasibility of a perennial cow dairy farm. J Dairy Sci 2005
Aug;88(8):3009-19.

Wiley AS. Consumption of milk, but not other dairy products, is
associated with height among US preschool children in NHANES
1999-2002. Ann Hum Biol 2009 Mar-Apr;36(2):125-38.

Sergio Ulhoa Dani, Dr.med. (DE), D.Sc. habil. (BR)
Göttingen, Germany
Tel. 00(XX)49 15-226-453-423
srgdani@gmail.com

Saudações socioambientais
Serrano Neves
http://acangau.net
http://alertaparacatu.blogspot.com
http://sosarsenic.blogspot.com
http://serrano.neves.nom.br
http://gab23.blogspot.com

-------------Segue mensagem original!-------------

De: Associação Ipê <associacaoipe@gmail.com>
Data: Sun, 3 Jan 2010 12:45:24 -0200
Para: REBEA@yahoogrupos.com.br
Assunto: [REBEA] Leite Não 2 - Leite de vaca - Um perigo de saúde

Leite Não 2 - Leite de vaca - Um perigo de saúde

O leite de vaca é um fluído insalubre, que contém uma gama ampla de substâncias inconvenientes. O seu consumo prolongado tem um efeito comulativo prejudicial. Com 59 hormonas activas, vários alérgenos, gordura e colesterol, a maior parte produzida mostra ainda quantidades mensuráveis de herbicidas, pesticidas, dioxinas (até 2.200 vezes o nível aceitável), até 52 antibióticos poderosos, sangue, pus, fezes, bactérias e vírus. Pode conter resíduos de tudo o que a vaca come. Inclusive coisas como restos radiativos de testes nucleares.

Combustível do cancro

Das 59 hormonas do leite, uma é um poderoso auxiliar do crescimento, de seu nome IGF-1 (Insulin-like Growth Factor One - Factor de Crescimento similar à Insulina). Por uma curiosidade da natureza ele é idêntico entre vacas e seres humanos. Segundo especialistas em medicina, é concensual que o IGF-1 é um factor-chave na aceleração do crescimento e na proliferação dos cancros da mama, da próstata e do cólon. Provavelmente actua também como catalisador no desenvolvimento de outras formas de cancro.

O IGF-1 é um constituinte de todo o leite de vaca, visto que se é desejável que o recém-nascido cresça com rapidez. Evidentemente que, se entrarmos em linha de conta que uma percentagem significativa da população (50% nos USA) se debate com problemas de obesidade, a presença de IGF-1 no leite pode já não ser vista com tão bons olhos.

Um caso flagrante sobre este assunto é o da indústria química Monsanto, fabricante de produtos como DDT, agente laranja, Roundup e outros. Esta empresa gastou cerca de meio bilião de dólares para inventar uma injeção que fizesse as vacas produzir mais leite.

Infelizmente o produto final (Posilac, rbGH, injectável) revelou cinco erros que levaram à proibição do uso de rbGH no Canadá. Ainda assim, o relatório que os descrevia (Richard, Odaglia & Deslex, 1989) foi oculto pela lei de Segredo Comercial de Clinton. Os canadenses puderam, em bom tempo, ler deste relatório o bastante para proibir o rbGH em seu país. O Posilac da Monsanto leva a um acréscimo de IGF-1 no leite até 80%.

A FDA (Food and Drugs Administration - Departamento de Alimentos e Remédios dos Estados Unidos) insiste que o IGF-1 é destruído no estômago. Por outro lado, estudiosos da questão insistem que nesse caso a amamentação não faria sentido, por não ter qualquer eficácia. A afirmação da FDA é ridícula, porque é o IGF-1 que faz o bezerro crescer a uma taxa tão elevada nas primeiras semanas de vida.

Aumento do IGF-1

A fim de se entender melhor o papel deste químico, foi realizado um estudo com dois tipos de consumidores: um bebendo 360g de leite por dia, outro a porção recomendada pela USDA (recomendação nutricional diária dos Estados Unidos) de 720g (três chávenas).

Neste estudo observou-se que os participantes que consumiam 360g de leite por dia tiveram um aumento de 10% no nível de IGF-1.

Quantidade:

Todos os lacticínios em geral, por derivarem do leite, podem ser fonte do mesmo problema. O queijo, por exemplo, contém os mesmos constituintes do leite numa proporção de 10 para um. São necessários 10 quilos de leite para fazer um quilo de queijo. E quanto à manteiga, conta com cerca de 21 vezes o que estiver contido nas moléculas de gordura da mesma quantidade de leite.

Cálcio:

Uma pergunta que deve ser feita é: onde é que as vacas arranjam cálcio para terem ossos tão grandes? A resposta é simples: sim, das plantas! E as mesmas plantas fornecem-lhes ainda uma boa quantidade de magnésio, necessário para a absorção e o uso do cálcio.

O cálcio do leite de vaca é basicamente inútil. O leite tem conteúdo insuficiente de magnésio (11% do que seria necessário para a mesma quantidade de cálcio). Igualmente, para a boa absorção de cálcio é importante a presença da vitamina D, que nós, humanos, produzimos pela simples exposição à luz solar. As nações com mais alto nível de consumo de leite e laticínios também têm o maior nível de osteoporose, como atestado por um estudo desenvolvido por 78.000 enfermeiras num período de 12 anos.

Segundo a USDA, 240g (uma xícara) de leite contém:

Cálcio (Ca) - 291,336 mg

Magnésio (Mg) - 32,794 mg

A USDA recomenda 1200 mg de cálcio por dia. As três xícaras de leite diárias recomendadas pela USDA só contêm 900mg de cálcio. Alguns argumentam que só se precisa de 1/3 do magnésio. A mãe natureza parece indicar que a proporção deveria ser 1:1. Se a proporção para a absorção adequada fosse de 1/3 de magnésio para 1 de cálcio, então apenas 300mg daqueles 900mg de cálcio seria utilizável. Se, na verdade, a proporção for de 1:1... só 98,38mg do cálcio é aproveitável.

Proteínas:

O leite pode ser considerado "carne líquida" pelo seu alto conteúdo de proteína. Na realidade, o excesso de proteínas pode, em conjunto com outras proteínas, provocar a perda de cálcio do corpo. Países que consomem dietas ricas em proteínas (carne, leite e laticínios) têm as taxas mais altas de osteoporose.

80% da proteína do leite é caseína. A caseína é um aglutinante poderoso. Um polímero usado para fazer plásticos e uma cola ótima para mobílias resistentes ou rótulos de cerveja. É usada como aglutinante em milhares de alimentos industrializados, como "caseinato de _qualquer_ coisa_".

Bactérias:

Permite-se que haja fezes no leite de vaca. Esta é uma grande fonte de bactérias, como não poderia deixar de ser. Normalmente o leite é pasteurizado mais de uma vez antes de chegar à tua mesa - cada vez durante 15 segundos à temperatura de 72°C. Por contraposição, para esterilizar a água exige-se que ela seja fervida (100°C) por vários minutos. Por outro lado, à temperatura ambiente o número de bactérias no leite duplica a cada 20 minutos.

Pus:

Um centímetro cúbico de leite de vaca comercial pode ter até 750.000 células somáticas (mais conhecidas como pus) e 20.000 bactérias vivas, antes de ser retirado do mercado.

Isso chega a espantosos 20 milhões de bactérias bem vivinhas e a 750 milhões de células por litro.

1 chávena = 236,5882 cm3 (centímetros cúbicos) ~ 177.441.150 células de pus e 4.731.600 bactérias

A ingestão diária "recomendada" para um adulto é de três vezes esta quantidade.

A Comunidade Europeia e o Canadá só permitem 400.000.000 (quatrocentos milhões de) células de pus por litro. Em geral esses níveis são mais baixos, mas PODEM chegar a este nível e ainda assim chegar à tua mesa.

Colesterol:

O conteúdo de colesterol de três chávenas de leite é igual ao de 53 fatias de bacon. Não muito dietético, com certeza!

Vitamina D:

A vitamina D (essencial à fixação do cálcio nos ossos) é geralmente derivada de um animal. A reação à luz do sol que converte 7-dehidroicolestero l em vitamina D-3 é uma reação química "pura" que acontece em determinadas células da pele. (Daqui a importância acrescida para os veganos da exposição ao sol).

A vitamina D-3 vem, tipicamente, de quatro fontes diferentes: pele de porco, pele de ovelha, fígado de peixe cru e cérebro de porcos. Na maior parte dos casos a vitamina D-3 é extraída da pele de porcos e vendida a fábricas de laticínios.

Existe também vitamina D-2, produzida em laboratório, que pode ser ou não de origem animal.

Constituição do leite:

água: 87%

gordura: 3,25% (se for leite completo, ou gordo)

caseína: 4%

outras proteínas: 1%

outras substâncias: 4,75%

Fonte: http://www.centrove getariano. org/Article- 10-Leite% 2Bde%2Bvaca. html

Mais dados: http://www.centrove getariano. org/Article- 9-Lactic% 25EDnios% 2Be%2Bc%25E1lcio .html

Referências:

http://www.notmilk. com

http://www.notmilk. com/igf1time. txt (Sobre IGF-1)

http://www.notmilk. com/deb/030799. html (Artigo sobre o estudo das 78,000 enfermeiras)

http://www.notmilk. com/deb/092098. html (Sobre cálcio e doenças dos ossos)

http://www.notmilk. com/badbones. html (Sobre doenças dos ossos)

http://www.notmilk. com/bonehead. txt (Sobre doenças dos ossos)

http://www.notmilk. com/calcium/ index.html

Herbert, da Workshop de Vitamina D da Universidade da Califórnia

MMarian

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O PISO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

O PISO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO NO BRASIL
Mais uma Verdade Parcial e uma Mentira Total em 2010

Fredrich Overbeck (1789-1869) Cristo diante de Pilatos


Na manhã da última quinta-feira, 31/12/2009, a imprensa divulgava o valor do novo piso para os professores do Brasil em 2010, NO VALOR DE R$ 1.024,67, para nível médio, jornada de 40 horas semanais. É a recomendação do MEC, em conformidade com parecer da Advocacia Geral da União. Eis um resumo da matéria, transcrita do Jornal O Povo:

MEC define reajuste de 7,86% para piso dos professores. Docentes da rede pública devem receber em 2010, por uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, pelo menos R$ 1.024,67. O valor é questionado pela Confederação dos Municípios

31 Dez 2009 - 01h12min - O Ministério da Educação (MEC) definiu ontem o reajuste para o piso salarial dos professores: 7,86%. Com o índice, docentes da rede pública de ensino devem receber no próximo ano, por uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, pelo menos R$ 1.024,67, ou seja R$ 255,05 a mais do que o salário médio do brasileiro em outubro.

O valor foi anunciado pelo o ministro da Educação, Fernando Haddad, depois de uma consulta à Advocacia Geral da União (AGU) sobre como fazer o cálculo do aumento.

A lei que institui o salário mínimo da categoria, de 2008, afirma que o piso deve acompanhar o reajuste do valor custo-aluno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB).

A dúvida era se tal regra deveria ser aplicada sobre o valor projetado para 2010 ou o efetivamente aplicado em 2009, comparado com 2008.

Embora o desfecho tenha apontado pelo menor índice de reajuste, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CMN), Paulo Ziulkoski, afirma que boa parte das prefeituras terá dificuldade em arcar com novos custos, principalmente em 2010, quando municípios terão de obedecer ao piso definido pela lei.

Ao anunciar os dados, porém, Haddad garantiu que estados e municípios teriam condições de arcar com o reajuste. Ele listou três fatores como justificativa.

O primeiro seria o aporte adicional de R$ 1 bilhão do Governo federal para estados e municípios, resultado do aumento dos repasses para merenda e transporte escolar .

A segunda razão apontada foi o aumento das transferências da União ao FUNDEB, de R$ 5,07 bilhões em 2009 para R$ 7 bilhões em 2010.

Outro motivo para estados e municípios honrarem os compromissos seriam as projeções do produto interno bruto (PIB) para 2010, que indicam crescimento de 5% na arrecadação. (das agências de notícias)


Gostaria de fazer uma análise sobre o valor do piso e o parecer da Advocacia Geral da União, da posição do MEC em relação à implementação do piso, da posição da Confederação Nacional dos Municípios e do que entendo como deve agir o movimento sindical diante dos fatos atuais.

SOBRE O NOVO PISO DE R$ 1.024,67 E SOBRE O PARECER DA AGU – Injusto piso, meramente parcial. Pois deveria ser bem maior. No mínimo o reajuste deveria ser igual ao aumento de repasse dos valores do FUNDEB desde janeiro de 2008 até 31 de dezembro de 2009, que em muitos municípios chaga a mais de 50%. Para onde estão indo todo esses recursos, se 60% deles seriam para a remuneração dos profissionais da educação? O parecer da União é um equívoco e tenta sobrepor-se à lei. Vivemos um momento estranho no Brasil onde tentam mudar a lei, naquilo que é claro, através de interpretações absurdas. Simplesmente o parecer da AGU além de vir apenas no último dia do ano, ainda vem pela metade. Ignorou completamente o real aumento do repasse do FUNDEB para os Municípios. Aumento que nunca chegou aos vencimentos dos profissionais da educação, tampouco se preocupam em levantar para onde tais verbas foram desviadas.

ATÉ O PRESENTE, A GRANDE VANTAGEM DA LEI QUE CRIOU O PISO FOI SÓ CRIAR O PISO, QUE NÃO VIROU REALIDADE AINDA NA CONTA DO PROFESSOR E DE NADA ADIANTARÁ PARA O FUTURO DA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO, SE O MEC E A AGU FICAREM AGINDO ASSIM, INTEMPESTIVAMENTE, COVARDEMENTE, EM CIMA DO MURO E TENTANDO ALTERAR A LEI COM INTERPRETAÇÕES CASUÍSITICAS. Quem deve interpretar a lei, naquilo que for duvidoso, é o Poder Judiciário, não a Advocacia Geral da União. Sabendo que os procuradores gerais da União são profissionais de formação sólida, só posso acreditar que o parecer é politiqueiro, não jurídico. Pois se assim acreditasse, teria que admitir que não passam de analfabetos, que deveriam voltar aos bancos da faculdade de direito para uma completa reciclagem.

SOBRE O POSIÇÃO DO MEC EM RELAÇÃO À IMPLEMENTAÇÃO DO PISO PARA OS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO NO BRASIL – Uma decepção, vergonhosa tem sido a posição do MEC! Hesitante, frouxo e omisso! O valor do piso nunca foi suspenso, tampouco sua política de reajuste. Faltou energia ao MEC para ser o protagonista no sentido em implementar o piso no Brasil. Uma luta histórica! Nesse sentido o MEC traiu o presidente Lula e decepcionou a categoria dos profissionais da educação. BASTA DIZER QUE DEIXOU PARA DIVULGAR O PISO COM CORREÇÃO PARCIAL APENAS NO ÚLTIMO DIA DE 2009, quando os prefeitos e câmaras municipais de todo o Brasil, tinham feito suas sessões extraordinárias, para, utilizando a lei do piso prejudicar os profissionais da educação. NO CEARÁ FOI UM TRISTE MASSACRE!

A maioria dos Municípios do Ceará implementou o piso de R$ 950,00, com apoio de vereadores eleitos para legislarem para o bem-comum, eleitos para fiscalizarem o Poder Executivo, utilizam tal poder para barganhar, para ter benesses pessoais, como o guarda de trânsito que recebe propina para não multar. Os guardas prejudicam a segurança do trânsito, resultado: o Brasil tem o maior número de mortos do mundo em acidentes automobilísticos, os vereadores prejudicaram os professores e a qualidade da educação, colaborando para construção de um país de analfabetos, ignorantes e educação de má qualidade. Excetua-se a Câmara Municipal de Miraíma, que derrubou até veto do prefeito local.

Adequar os Planos de Carreira dos Profissionais da Educação no Ceará só serviu para cassar direito adquirido, para fixar o surrado piso de R$ 950,00 do ano de 2008, quando os aumentos de repasses do FUNDEB têm sido gigantescos. Demonstrando que os prefeitos e prefeitas se apropriaram vergonhosamente de tais recursos nas barbas de todos os poderes da República. Como explicar que os administradores tiveram desde julho de 2008 até 31 de dezembro de 2009 e deixaram para tratar de tal adequação, em sua maioria, na última semana de dezembro com sessões extraordinárias? Nem greve havia como fazer no final de dezembro! Municípios como Ipaumirim já votaram iniciar 2010 em greve.

O parecer da Advocacia Geral da União tem muito mais objetivo de proteger o MEC de uma grande vergonha do que beneficiar os professores. Desde o dia 01 de janeiro de 2010 que o Salário Mínimo é R$ 510,00. Nenhum servidor pode receber menos que R$ 510,00, independentemente do nível de formação. Em conformidade com o artigo 317/323, da CLT, nenhum professor do setor privado pode ganhar menos que um salário mínimo para jornada de 04 horas. Logo, um professor do setor privado, na pior das hipóteses, jamais ganhará menos que dois salários mínimos para jornada diária de 08 horas, quando a maioria dos municípios do Ceará, na farsa da adequação ao piso salarial, fixou piso de R$ 950,00 (ainda de 2008) como piso para os profissionais da educação para jornada de 40 horas semanais.

De onde se conclui o maior dos absurdos: EM TAIS MUNICÍPIOS COMO O PROFESSOR, COM JORNADA DE 04 HORAS DIAS OU 20 HORAS SEMANAIS, GANHARÁ METADE DE R$ 950,00, ISTO É R$ 475,00, ganhará abaixo do salário mínimo o total de R$ 35,00 menos do que ganha um gari em Itapipoca, que pode ser analfabeto, para uma jornada diária de 08 horas. Cito Itapipoca porque lá o Sindicato dos Servidores Municipais ganhou na Justiça, com trânsito em julgado, que nenhum servidor pode ganhar abaixo do salário mínimo, independentemente da jornada. É melhor ser gari analfabeto m Itapipoca, ganhando o mínimo como piso, além da insalubridade. Do que ser professor, por exemplo em Milhã, Tamboril, Bela Cruz, Amontada, São Luís do Curu, Ipaumirim, Guaraciaba do Norte, etc.

ISTO MESMO, DEPOIS DE INERTE, O MEC ASSISTIR AO MASSACRE DOS PROFESSORES NAS SESSÕES EXTRAORDINÁRIAS DO FINAL DE DEZEMBRO DE 2009, QUANDO DEVERIA SER O DEFENSOR DA IMPLEMENTAÇAO DO PISO, DEIXOU OS SINDICATOS E OS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO LANÇADOS A PRÓPRIA SORTE. QUANDO PERCEBEU QUE SUA VERGONHOSA OMISSÃO RESULTARIA EM PISO INFERIOR AO SALÁRIO MÍNIMO PARA JORNADA DE 20 HORAS SEMANAIS, AGIU, ATRAVÉS DE UM PARECER TAMBÉM VERGONHOSO DA ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO, garantindo um piso de R$ 1.024,00 para 40 horas semanais, ou seja, R$ 512,00 para 20 horas semanais, isto é, R$ 2,00 a mais que 01 salário mínimo. NOTA ZERO PARA O MEC, num momento histórico de implementação de um piso que, até o presente, foi implementado apenas parcialmente. MEC DEU UMA DE PÔNCIO PILATOS: Lavou as mãos e quando entrou em campo foi para não ser desonrado, pensando em si, apenas! PROTAGONISTA DA OMISSÃO!

DA POSIÇÃO DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS MUNICÍPIOS – A exemplo da APRECE, que se diz representante dos Municípios e prefeitos do Estado do Ceará, tem defendido os interesses de grupos políticos em detrimento dos direitos humanos e dos direitos sociais. Órgão totalmente corporativista, que só se manterá se defender interesses dos prefeitos que não coincidem com os objetivos do Estado brasileiro, entre os quais o bem-comum, o respeito aos direitos humanos e educação de qualidade com respeito ao piso e à valorização dos profissionais da educação. ELES SÓ TEM UM PRINCÍPIO QUE SEGUEM: Mais e mais dinheiro nos cofres públicos! Agora como vão ser aplicados, nunca se viu tais entidades combatendo a corrupção. Pelo contrário, caso não defendam os interesses dos muitos corruptos, seus filiados, perderão seu sentido de existência. Muitos devem ter lido sobre o Primeiro Comando da Capital em São Paulo, foi criado para proteção dos seus sócios. PARA ONDE IRÁ O ESTADO BRASILEIRO E O BEM-ESTAR SOCIAL COM ENTIDADES MERAMENTE CORPORATIVAS TOTALMENTE DISSOCIADAS DOS OBJETIVOS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. O Ministério Público deveria trabalhar para fechar tais entidades como fez para acabar com as torcidas organizadas, que só mal causaram ao país.

SOBRE O QUE PODE SER FEITO PELO O MOVIMENTO SINDICALDiante tal quadro, golpeados pelos prefeitos, vendidos por 33 moedas pela maioria dos vereadores, abandonados pelo MEC, nem sempre podendo contar com o Ministério Público e não podendo contar com a lentidão do Poder Judiciário, como devem agir os profissionais da educação através dos seus sindicatos? Bom lembrar que a quase totalidade dos professores com jornada semanal de 20 horas ganharão abaixo do salário mínimo vigente em 2010. EIS ESSE GRANDE LEGADO, EIS A GRANDE VERGONHA! NOTA ZERO PARA O MEC!

Alguns fatos curiosos: O Município de Fortaleza aproveitou-se da Lei do Piso, porque já pagava acima do piso, fazendo do piso legal o teto da categoria, para sequer dar aos profissionais da educação reajuste igual ao aumento de repasse de recursos do ano de 2008 até 31/12/2009. Sem falar na brutal retaliação ao SINDIUTE, Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará, pelo simples fato de ter exercido o direito constitucional à greve. Sequer liberando seus dirigentes da atual gestão, violando a Liberdade Sindical, direito humano fundamental. Já o Município de Caucaia fixou o salário mínimo como piso para o professor. O mesmo salário dos servidores com nível médio e ensino fundamental incompleto. Já o Município de Maranguape ainda defende a idéia de que professores contratados (VIOLANDO O CONCURSO PÚBLICO) devem ter piso menor que o professor efetivo (VIOLANDO A ISONOMIA – FUNÇÃO IGUAL – SALÁRIO IGUAL). Criando o professor nível ZERO! Ainda bem que Marx e Engels não viveram o suficiente para verem tais condutas dos membros do PC do B, esses comunistas atuais de Maranguape! Já o Município de Jucás perdeu a vergonha. Propôs uma adequação ao plano de carreira onde para cada classe previa 200 referências, que só poderiam beneficiar o servidor através da avaliação de desempenho, a ser feita de 03 em 03 anos. LOGO EM JUCÁS, PARA PERCORRER TODA A CARREIRA HORIZONTAL DE UMA CLASSE, O SERVIDOR DEVERIA VIVER MAIS DE 600 ANOS. O que seria bom para previdência e péssimo para o servidor e a educação local, que exigiria alunos com vida eterna.

Cabe ao movimento sindical convocar assembléia da categoria, calcular realmente qual foi o aumento do repasse do FUNDEB em cada Município do Ceará desde janeiro de 2008 até dezembro de 2009 e fazer de tal índice o índice de reajuste do piso, pois estará trabalhando com dados matemáticos reais, indubitáveis. Daí elaborar todo um cronograma de atividades que podem começar de uma nota de repúdio, passeata, audiência públicas, paralisações ou greve geral por tempo indeterminado. FICAR INERTE É QUE NÃO PODE, do contrário perderá sua razão de existir.

A FETAMCE (Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará) e a CONFETAM (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal), bem como a CUT e demais centrais sindicais, cuidarão, com certeza, do que lhes compete a nível de Estado do Ceará e do Brasil.

O QUE NÃO PODE É TRIUNFAR A CORRUPÇÃO, O DESVIO DO FUNDEB E A FALTA DE RESPEITO AOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO E TOTAL FALTA DE COMPROMISSO DOS ADMINISTRADORES COM A EDUCAÇÃO DE QUALIDADE! Que triste concluir que o MEC FOI OMISSO E COVARDE NESSE MOMENTO HISTÓRICO DE IMPLEMENTAÇÃO DO PISO DOS PROFESSORES E DA PARTIDA PARA UMA EDUCAÇÃO REALMENTE DE QUALIDADE, VOLTADA PARA PLENA CIDADANIA, PARA UM BRASIL DO FUTURO QUE ESTÁ SOFRENDO UM ATENTADO NO MOMENTO PRESENTE COM TAIS FRAUDES À IMPLEMENTAÇÃO DO PISO E À EDUCAÇÃO!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Gente que sabe o que diz...


VACAS E PASTORES III
A Drª Melinda Zeder publicou recentemente uma síntese indispensável sobre a origem da agricultura na Bacia do Mediterrânico (ver aqui). As datas da domesticação da vaca, do porco, da ovelha e da cabra, em anos antes do presente (BP), propostas por esta autora estão resumidas nesta figura:



Os mamíferos herbívoros domésticos das regiões de clima temperado/mediterrânico (exceptuando o coelho, ver
aqui) foram originalmente domesticados no SW asiático, assim como a maioria da plantas cultivadas (tema para desenvolver um destes dias). Tudo aconteceu em apenas 1000 anos, pouco depois da invenção da agricultura (ca. 12.500 BP, data impossível de precisar, ver aqui a explicação) e do final da última glaciação (11.500 BP). A vaca evoluiu do auroque (Bos primigenius), extinto no séc. XVII, o porco do javali (Sus scrofa), a ovelha do muflão-asiático (Ovis orientalis) e a cabra da cabra-selvagem (Capra aegagrus). Existem evidências de domesticações politópicas (múltiplas) na Europa, ou do cruzamento de populações selvagens com domesticados de origem oriental, no porco e na vaca. Nada de surpreendente. Tanto javali como auroque eram frequentes em grande parte da Europa. Os criadores de porcos de montanheira sabem, por experiência própria, que os javalis-macho cobrem com frequênciam e com um assinalável impacte económico, as submissas fêmeas de 'large-white' ou de 'porco-preto'. O mesmo certamente aconteceria entre as vacas e os auroques-macho.
A domesticação das cabras e ovelhas é mais antiga (ca. de 1000 anos) do que até agora se supunha. Os porcos e o gado bovino foram domesticados pouco depois das ovelhas e cabras. As datações dos macrorrestos de herbívoros domesticados de Chipre são particularmente importantes. Por serem tão próximas das datas da Anatólia e das Montanhas de Zagros indiciam que a pastorícia foi uma invenção de sucesso, e de fácil exportação. Os agricultores migrantes, e o seu kit de animais e plantas domesticadas, atingiram o território continental português três mil anos depois de Chipre, ca. 7500 anos BP.

Rebanho misto de ovelhas bordaleiras (a ovelha mais à direita é do grupo das churras) e cabras serranas [Serra da Estrela: Manteigas, foto CA]

Recordemos os posts anteriores desta série (ver aqui e aqui). ... Assim como as formigas co-evoluíram com os afídeos, o mesmo terá acontecido connosco e com os nossos domesticados animais? Será a nossa relação com os herbívoros domésticos foi suficientemente longa, e suficientemente profunda, para transportamos marcas genéticas recíprocas? Pois, parece que sim. Que as vacas, os porcos, as cabras ou a ovelhas evoluíram nas nossas mãos é algo que ninguém duvida. Todas estas espécies partilham em maior ou menor extensão um conjunto de características morfológicas comuns geneticamente reguladas, o sindrome de domesticação, e.g.: reduzida agressividade, presença residual de defesas físicas (e.g. cornos e presas) ou comportamentais (e.g. comportamento perante a ameaça de predadores), maior produtividade (e.g. de carne ou de leite) e prolificidade (nº filhos/fêmea/ano), e dependência do homem para o cumprimento do ciclo biológico. Beja-Pereira et al. na Nature Genetics (ver aqui) publicaram uma prova definitiva da co-evolução entre humanos e vacas ao demonstrarem que a distribuição dos genes que controlam a tolerância à lactose na Europa, i.e. a capacidade de digerir o açúcar do leite, coincide razoavelmente com a localização de culturas neolíticas fundadas no consumo de leite de vaca.
Portanto, meu caro naturalista que gosta de plantas, quando se ajoelhar para observar formigas e afídeos nos tecidos mais tenros de um cardo recorde-se: a domesticação é um fenómeno universal, não foi "inventado" por nós; os afídeos têm muito em comum com as vacas, e nós com as formigas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

MATA BRANCA ESTÁ EM BRASA!



'Mata branca está em brasa.';

A caatinga pode ou não ser manejada com sustentabilidade? (foto: Celso Calheiros)Matriz energética e consenso não costumam andar juntos. O debate pode esquentar ainda mais quando se trata do polo gesseiro do Sertão do Araripe, onde indústria, ONGs e governo se colocam de um lado e acadêmicos, do outro. No centro da discussão está a lenha obtida no único bioma exclusivamente brasileiro, a caatinga. O primeiro grupo advoga pelo manejo florestal que obedeça a regras rígidas e abasteça calcinadoras de gipsita. A outra turma alerta que não existe estudo, nem é eficiente derrubar-se a mata branca para fazer gesso.O polo gesseiro fica no Araripe e está praticamente no coração da caatinga. É aquela região mais ao interior de Pernambuco, próxima do sul do Piauí e sul do Ceará. Não é mera coincidência estar lá a área mais degrada do bioma. A produção de gesso, que abastece 95% do que é consumido no país, é apontada como responsável pela abertura de clarões na mata.A região concentra jazidas que exigem pouco para extração da gipsita. O minério branco só precisa passar pelos fornos das 139 calcinadoras para se transformar em gesso. Esse processo, que na maioria das vezes utiliza a vegetação da caatinga como combustível, é responsável por uma taxa de desmatamento alta.Dados da Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco apontam que para a produção de 1,3 milhão de toneladas de gesso no Sertão do Araripe são necessários 1 milhão de metros cúbicos de lenha. A participação dos recursos florestais para produção desta energia chega a 93% (o restante vem da poda de cajueiros cearenses). A taxa é elevada mesmo para a região conhecida pela ausência de recursos hídricos e oferta de eletricidade limitada. Em todo semiárido, 40% da matriz energética vem da lenha, de acordo com o Ibama.O ecologista Frans Pareyn, da entidade não-governamental Associação das Plantas do Nordeste (APN), e o analista ambiental Francisco Barreto Campello, do Ibama, garantem que o problema não é o uso do bioma – o desastre ambiental se dá pela falta de manejo.O professor de ecologia e botânica José Alves Siqueira, da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf) e diretor do Centro de Referência para Recuperação de Áreas Degradadas da Caatinga (Crad), discorda do manejo florestal do bioma. “Não existe base científica nestes modelos. Eles são especulativos”. Doutor em biologia vegetal, Siqueira afirma que a caatinga é mais delicada do que se supõe e que os planos de uso da mata como matriz energética não levam em consideração as espécies herbáceas e arbustivas, que são parte da riqueza da região.A supervisora da área de manejo florestal do departamento de Ciência Florestal da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Isabelle Meunier, argumenta que o manejo não está em questão. Se debate a oportunidade de se sustentar um polo industrial com a caatinga. “Não conheço nenhuma técnica capaz de atender uma demanda crescente sem oferecer produtividade crescente. Demanda crescente e produtividade decrescente geram colapso. Ecologista militante, Isabelle faz um adendo. “Falo como acadêmica, não como ambientalista”.O mesmo raciocínio utiliza Aldemir Barboza, doutora em geografia e professora de meio ambiente da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ela afirma que a lenha da caatinga, em especial no Araripe, não pode ser considerada um recurso renovável porque os índices de consumo superam a sua capacidade de recomposição. “Devem-se buscar alternativas sustentáveis para as atividades que demandam uma grande quantidade de energia”. Mata branca: manejo tradicional

A caatinga - mata branca em Tupi, sustenta a demanda de energia do polo gesseiro (foto: Celso Calheiros)A caatinga tem seu nome a partir das palavras que em tupi querem dizer mata branca, possui fauna e flora características, mas é muito pouco estudada. Sua aparência de mata seca de aparência morta, por exemplo, esconde uma astúcia vegetal. As plantas guardam energia para exibir o seu verde apenas para quando a água vem. E quando chove, a paisagem muda.A estratégia para a preservação da cobertura florestal da região com apoio da indústria do gesso, agência ambiental pernambucana, Ibama e APN é peculiar. Parte do incentivo ao manejo da mata, com técnicas de corte que mantêm o toco e rodízio de áreas de 10 a 15 anos. Francisco Barreto Campello, do Ibama, observa que, desde os índios, o regime de produção agrícola no Araripe é baseado no rodízio de terras (pousio), que consiste na derrubada da mata, queima da madeira e, em seguida, o cultivo. “Isso cria uma espécie de revezamento das áreas para produção, em um manejo cíclico de solo onde a vegetação cumpre o papel de revigoramento da terra”, explica.Como os solos bons para a agricultura são poucos, o que ocorre é uma rotação destas áreas. Deste jeito, a forma do agricultor sertanejo trabalhar a terra gera um excedente de lenha nativa a cada ciclo. Frans Pareyn, da APN, defende o raciocínio. “Se houver manejo, teremos uma atividade sustentável e economicamente viável”. Ele lembra outra vantagem. “O manejo florestal anula a emissão de carbono na atmosfera”, uma vez que a mata cortada estará sendo replantada periodicamente. “E vai gerar empregos, porque a coleta dessa lenha é feita no período de estiagem, quando as oportunidades de trabalho na região são menores”.A demanda energética total do Araripe é de 2,4 milhões de metros cúbicos por ano, de acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente e governos do Ceará e de Pernambuco. A área necessária para atender esta necessidade, de forma sustentável, é de 220 mil ha, considerando 14.700 ha por ano, em um ciclo vegetativo de 15 anos para regeneração, conforme dados da Rede de Manejo Florestal da Caatinga. A região do Araripe possui 1,4 milhão de ha de área potencial para uso sustentável.Concorre com os agricultores que buscam lucro nesta atividade a pirataria. O maior inimigo do manejo é o preço da lenha irregular. Barreto Campello conta que há épocas em que a oferta de produto ilegal ultrapassa a demanda. Os prejuízos vão além das contas e dos cifrões. A madeira retirada de forma irregular queima o solo, arranca os tocos dos troncos, não repõe a cobertura vegetal e se torna emissora de carbono. A desertificação é a etapa seguinte.Madeira ilegalExistem apenas 22 planos de manejo aprovados para uma área de 10,7 mil ha e só 12 funcionam. A produção não ultrapassa os 200 mil metros st/ano, inferior a 10% da necessidade dos fornos. O comércio ilegal e os clarões de área queimada no meio da caatinga respondem pelo resto da conta. O presidente do Sindicato da Indústria do Gesso de Pernambuco (Sindugesso), Josias Inojosa Filho, estima que menos de 50% do setor compra madeira legal e 5% utiliza derivados de petróleo na calcinação da gipsita. O líder empresarial pede mais fiscalização. “É a única forma de a concorrência ser leal”.O chefe de fiscalização do Ibama em Pernambuco, Leslie Tavares, garante a sua parte. Desde que focou no Araripe, divide as operações em dois tempos. No primeiro momento, autuou e fechou 56 das 139 calcinadoras de gesso. Considera esta uma fase educativa para que os empresários saibam quais os documentos necessários e conheçam o rigor da lei. Agora, realiza o trabalho de monitoramento, checando a consistência das informações contidas no Documento de Origem Florestal (DOF) em relação com a quantidade de gesso produzido, considerando a eficiência do forno industrial. “É um trabalho semelhante ao da fiscalização da Receita Federal”. Esta atividade não descarta as visitas inesperadas. Quando realizou a fase dois, fechou três beneficiadoras de gesso reincidentes. “Espero que essas empresas não voltem a funcionar”. O projeto Conservação e Uso Sustentável da Caatinga realiza ações que têm como meta o uso sustentável da biodiversidade e da eficiência energética, conta Francisco Barreto Campello, responsável pela iniciativa. Parte do seu trabalho é convencer as indústrias do gesso a manter sua matriz energética com a lenha sem agressão ambiental, com inclusão social e sustentabilidade. Basta que a madeira seja certificada.*Celso Calheiros é jornalista em Pernambuco

Presente para o Natal e Ano Novo!



Brasil, ambiente e cultura
22/12/2009, 12:00

'Brasil, ambiente e cultura';
Trabalhando pela preservação da fauna desde 1993, a não-governamental Arca Brasil, com apoio da Lei de Incentivo à Cultura e patrocínio do laboratório Intervet Schering-Ploug, acaba de lançar um livro onde 15 animais representativos das cinco regiões do país se transformam em instrumentos de proteção ambiental e cultural. Arca Brasileira - Uma viagem pelo Brasil e seus animais contou com as mãos de biólogos, veterinários, jornalistas e escritores, intercalando fotos, contos e poemas redigidos por escritores consagrados como João Cabral de Melo Neto, Ruy Castro, Machado de Assis, Luis Fernando Veríssimo e Monteiro Lobato. Além disso, traz informações sobre a condição de espécies como boto, pirarucu, cabra, peixe-boi, gralha azul e baleia-franca, e sobre projetos bem-sucedidos de preservação ou proteção, em todo o Brasil.“O caso da Tartaruga-do-Amazonas é o mais representativo dessa nova visão de preservação. O hábito do consumo da carne e dos ovos deste animal é tão arraigado no povo amazonense que quase levou a extinção da espécie. Baseados em estudos do Ibama, a criação comercial se tornou um alternativa tanto para dar emprego aos ribeirinhos, como para preservar a tartaruga, já que o órgão obriga a devolução de individuos adultos para os rios. Com isso houve uma rápida recuperação dos estoques populacionais”, destacou o veterinário Ricardo Oliveira, coordenador editorial do projeto.Segundo Marco Ciampi, presidente da Arca, a "missão" do livro é mostrar que a alma e a identidade do brasileiro também residem no ambiente que o cerca. Seu desejo é de que a publicação faça com que “os leitores captem essa grandeza e exuberância (da flora e fauna), mas também o sentimento profundo de saber que essa identidade, essa natureza, é parte de nós. E protegê-la será, então, mais que um trabalho, será um dever”.
Em parceria com uma livraria virtual, está no ar um hotsite para que leitores possam conhecer a obra antes da compra, "folheando" parte de seu conteúdo. Basta clicar aqui

domingo, 13 de dezembro de 2009

Carta do Zé...

*Carta do Zé, agricultor, para Luís, da cidade. *

Luís, quanto tempo!

Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o
transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo?
Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé
mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.

Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu.
Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite,
e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite
De madrugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu
só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?

Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês Não
que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que
acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade.
To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo
o meio ambiente.

Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive
que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os
matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode
fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.

Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas
um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da
água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve
ser verdade, né Luis?

Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ...) contratei Juca,
filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário
mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num
quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram
umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que
se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora
extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as
vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô,
bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?

Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche
tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama,
só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender
no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra
ter luz boa no quarto do Juca.

Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer
parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa,
desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas
leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que
ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado.
Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem
fiscal do trabalho para acudi-lo.

Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite
às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o
carro da cooperativa pega todo dia,isso se não chover. Se chover, perco o
leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.

Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância
do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha
que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do
rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de
digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu
sozinho ia demorar uns trinta dia pran fazer, mesmo assim ele ainda me
multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as
telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez,
por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas
básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também
pagam multa grande né?

Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água
do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo
protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar
no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios
ai da cidade. A pocilga já acabou as vacas não podem chegar perto. Só que
alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio
limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.

Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato
agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então,
Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava
morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair
por cima da casa.

Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no
Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim
fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e
ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da
casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi
uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foram
os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.

Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a
20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco
o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida
da ecologia.. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha,
não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que
a lei é pra todos.

Eu vou morar aí com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro
da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio
eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e
só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a
geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha,
nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha,
fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.

Até mais Luis.

Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não
existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio.

**(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados
verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o
quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural
e o meio urbano.) * **

"Na prática, a teoria é outra." *

--
Sergio Ulhoa Dani, Dr.med. (DE), D.Sc. habil. (BR)
Göttingen, Germany
Tel. 00(XX)49 15-226-453-423
srgdani@gmail.com

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